O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 03/11/2018
Para Schopenhauer, filósofo alemão do século XVIII, o maior erro do homem seria o sacrifício de sua saúde. De fato, tal pensamento deveria ser reconhecido, mas ao analisar o aumento no número de portadores de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) no Brasil, percebe-se que tal filosofia tem sido negligenciada. De tal maneira, cabe citar que desconhecimento, principalmente por jovens, das consequências de um sexo inseguro, além da banalização das DSTs atuaram como propulsores desse atual quadro de saúde pública nacional.
Em primeira análise, é de extreme importância reconhecer que ainda hoje pouco se fala sobre relações sexuais e como é importante o papel do preservativo, seja prevenindo doenças ou uma gravidez surpresa. Isso se deve ao fato de que, hodiernamente, assuntos de cunho sexual permanecem como tabus. Ademais, a forte bancada conservadora do Congresso Nacional inviabiliza o avanço de projetos que visem a elaboração e distribuição de materiais didáticos sobre sexualidade nas escolas, e alega que tal material estimula a prática precoce do coito. Apesar de tal argumento ter ganhado força na população, ele está errado e estimula o não diálogo sobre o assunto, o que acarreta em jovens desinformados e suscetíveis a doenças letais, como a AIDS e sífilis.
Não bastasse isso, a popularização de tratamentos contra as DSTs afastaram das pessoas o medo de um possível contágio, e fez com que algumas doenças quase erradicas voltassem a crescer no país. Por exemplo, a sífilis, que, segundo o Ministério da Saúde (MS), teve um crescimento quantitativo maior que 1000%, em um período de cinco anos. Além disso, ainda de acordo com o MS, as pessoas hoje relacionam-se sexualmente mais do que no passado, seja pelas facilidades da era dos aplicativos, como o de paquera, ou pela adoção de uma cultura poligâmica. Com isso, principalmente a parcela mais jovem da população, torna-se mais vulnerável à contração e/ou transmissão enfermidades, como AIDS, gonorreia, herpes, e outras doenças.
Portanto, avulta-se a necessidade de, ao menos, mitigar a problemática. E, com o fito de informar os cidadãos desde jovens sobre a importância de diálogos de respeito à sexualidade e prevenir que a cultura de rejeição à camisinha se prolifere, compete ao Ministério da Educação, com apoio de escolas, universidades e psicopedagogos, o papel de promover aulas, feiras e palestras didáticas adequando-as a cada faixa etária. Não obstante, cabe às Secretarias de Saúde, a função de realizar rotineiramente campanhas de combate às DSTs nos veículos midiáticos ou em cartazes pelas ruas, fazendo com que aos poucos a sociedade perceba quão grave é o problema e passe a agir em prol desse movimento. Assim, consoante ao pensamento de Schopenhauer, o maior erro do homem seria evitado.