O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 27/03/2019
Absurdo. Essa é a palavra que melhor descreve o aumento exorbitante do número de casos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) no Brasil nos últimos anos. Atualmente, no país, não se discute sobre ISTs e metódos de prevenção, pois é um equívoco comum a ideia de que isso leva sexualização do jovem. Isso acontece tanto pela falta de conscientização, quanto pelo tabu imposto à sexualidade no Brasil. Portanto, é imprescindível mudar essa realidade preocupante.
Em primeiro lugar, deve-se considerar a existência de diferentes motivos que explicam essa situação. Um deles se relaciona à deficiente educação sexual, visto que este assunto é reprovado em um país primordialmente católico e patriarcal, no qual a igreja prega que sexo só deve ser feito com intenção de procriar, após o casamento e que as mulheres devem ser essencialmente virgens até esse momento, . Além disso, após a pandemia da AIDS no século passado que vitimou milhões de pessoas incluindo Freddie Mercury e Cazuza, não se vê mais a mídia informando sobre os riscos das DSTs e o aumento progressivo delas na atualidade ou ao menos sobre a existência de famosos soropositivos, levando à uma falsa sensação de que elas não existem mais e, por isso, não são um perigo para a sociedade, sendo que houve 100% de aumento no número de casos de sífilis em 2015 no brasil, segundo o Ministério da Saúde.
Em segundo lugar, é preciso constatar as graves consequências desse cenário. É possível pensar, por exemplo, em uma sociedade reprimida que quando inicia a vida sexual não tem informações sobre qual o melhor método contraceptivo para si e fica à mercê da sorte. Isso leva ao acréscimo dos números de casos de ISTs, adquiridas sexualmente e congênitas, e ao aumento dos gastos da saúde pública com uma causa que poderia ser revertida através da conscientização. Outro efeito é a falta de rede de apoio, pois ser soropositivo na atualidade é ser julgado como promíscuo pela sociedade. Isso faz com que a população tenha medo de realizar os exames necessários e, se preciso, os tratamentos recomendados.
Portanto, é indispensável informar a população sobre as DSTs e os riscos destas. Para tanto, é fundamental que o Ministério da Saúde fomente a distribuição de cartilhas informativas e também a realização de palestras por profissionais da saúde em todos municípios brasileiros, se possível, e para todas as faixas etárias sobre o aumento recorrente de doenças como HIV, sífilis, entre outras; sobre a necessidade de se prevenir contra elas; e onde realizar os exames e os tratamentos. Além disso, também seria interessante que o Ministério da Educação incluísse educação sexual no currículo brasileiro, para que, aliado as outras medidas, futuramente, o número de casos diminua.