O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 14/04/2019

No início da década de 1990, o astro do basquete, Magic Johnson, surpreendeu o mundo com o anúncio de que havia contraído o vírus da Imunodeficiência Adquirida. Nessa época, haviam poucos recursos para o tratamento da AIDs, bem como poucas informações sobre a atuação desse retrovírus no organismo humano. Contemporaneamente, o avanço científico e tecnológico associado a maior informatividade da população em relação aos métodos profiláticos podem proporcionar a prevenção efetiva das ISTs. Entretanto, de acordo com o Ministério da Saúde, ocorreu o aumento do número de pessoas acometidas por infecções sexualmente transmissíveis. Essa situação, paradoxal, ocorre devido a fatores sociais e culturais que devem ser confrontados pela atuação da sociedade.

A priori, é necessário ressaltar a evolução tecnológica do principal método de profilaxia, o preservativo. Nesse sentido, destaca-se a atuação do anatomista Gabriele Fallopio, que inventou a “camisinha” masculina, com o objetivo de reduzir a incidência de sífilis, bacteriose que pode levar a morte. Posteriormente, a evolução dos processos industriais permitiram o uso do látex na fabricação desse produto o que aumentou a sua resistência. Contudo, apesar do fácil acesso aos preservativos muitas pessoas contraem ISTs devido a banalização do sexo que ocorre hodiernamente. Desse modo, segundo, Zygmunt Bauman, autor da obra “Amor Líquido” as relações sociais tornaram-se efêmeras e  a facilidade na obtenção de sexo casual pode favorecer o descuido em relação proteção íntima.

Outrossim, o aumento do número de contaminados por doenças venéreas ocorre devido ao descuido induzido pelo uso de bebidas alcoólicas, drogas, ou pelo estabelecimento de relacionamentos estáveis. Desse modo, a atuação do álcool etílico e outras substâncias químicas compromete o funcionamento adequado do sistema nervoso central, por meio, da redução da capacidade de julgamento e raciocínio do indivíduo que, assim, não faz uso do invento de Gabriele Fallopio. Por exemplo, em festas “rave” é comum o uso de “ecstasy” e LSD, consequentemente, nesses ambientes, não raro, pessoas fazem sexo desprotegido. Por outro lado, a confiança absoluta em um relacionamento duradouro pode ocasionar a negligência do uso do preservativo e acarretar a contaminação em casos de infidelidade.

Assim, infere-se, que a banalização do sexo e o descuido são os principais fatores que levam a contaminação por ISTs. Diante disso, é importante a atuação de ONGs, por meio do fornecimento de relatos de pessoas acometidas por graves doenças venéreas aos meios de comunicação de massa como a televisão e o rádio, com a finalidade de conscientizar as pessoas em relação as graves consequências que os “pequenos deslizes”, tais como o uso abusivo de álcool ou a concepção de que em uma única relação sexual desprotegido não ocorrerá o contágio. Por fim, cabe a todo cidadão brasileiro consciente zelar pela sua saúde.