O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 02/05/2019
Na Idade Média houve um surto de sífilis na Europa que perdurou por séculos. A epidemia assustou a população e por ser desconhecida várias causas foram apontadas, muitas delas carregadas de preconceitos. Outrossim, com o avanço do conhecimento sobre as infecções e seus tratamentos acessíveis, as pessoas tornaram-se alheias à profilaxia possibilitando a ocorrência de novas proliferações, muito mais perigosas que as anteriores, como o caso da bactéria causadora da Gonorreia, que pelo uso indiscriminado dos antibióticos, está resistente aos tratamentos conhecidos.
Analogamente, em 2017, países desenvolvidos, como os Estados Unidos, mostraram um número recorde das ISTs - Infecções Sexualmente Transmissíveis -, como Gonorreia, Clamídia e Sífilis, segundo o CDC, Centro de Controle e Prevenção de Doenças, foram cerca de 2,1 milhões de infectados. Além disso, no estado de São Paulo foi notificado um aumento de 603% dessas enfermidades em 6 anos, dados da Secretaria de Saúde do estado paulista. É perceptível, portanto, que trata-se de uma pandemia, e não somente características das Américas, como pensavam os europeus no século XVII. Ademais, a banalização desses males, aliada a falta de uma educação sexual responsável, contribui para a crença na inocuidade dessas patologias, afetando sobremaneira os adolescentes que não presenciaram o terror que essas doenças causaram anos atrás.
Por outro lado, essas ocorrências atingem também os mais velhos, aqueles que assistiram o cantor Cazuza morrer em decorrência do vírus HIV, na década de 90, e que leram o livro “Depois daquela viagem” de Valéria Piassa, no qual ela relata como foi descobrir que tinha adquirido AIDS com apenas 16 anos. Eles creem que o avanço da tecnologia encontrou a cura e o tratamento adequado para essas infecções, muitos até acreditam que há cura para a AIDS. Comprovando assim o ponto de vista do escritor francês Gustave Flaubert, o qual afirma que a vida deve ser uma constante educação, portanto, o fator principal para esse aumento torna-se visível nessa máxima.
É indispensável, portanto, a ação do Governo Federal em parceria com o Ministério da Educação, para oferecer educação sexual conscientizadora para estudantes e comunidade, por meio de oficinas, ação comunitária e atividades lúdicas, para que ocorra uma percepção da periculosidade das ISTs. Por outro lado, o Ministério da saúde, com auxílio municipal, deve promover uma maior distribuição de preservativos, palestras educativas sobre a importância de usá-los, testes rápidos de detecção e informes sobre o uso correto do antibiótico no tratamento nas Unidades Básicas de Saúde, focando em uma compreensão ampla que leve à diminuição no número de infectados. A participação da mídia nessas campanhas é imprescindível, com publicidades que facilitam a disseminação das informações.