O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 30/07/2019

O artigo 6° da Constituição Federal, documento jurídico mais importante do país, prevê que aos cidadãos são assegurados vários direitos, sendo um deles à saúde. Contudo, a falta de informação e a escassa prevenção sexual denotam um desafio à garantia desse direito e corroboram com o aumento de infectados por doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) no Brasil. Urge, portanto, analisar tal realidade de modo a identificar e combater esse problema e seus impactos sociais.

Em primeiro plano, o deficit na educação sexual auxilia nesse crescimento do número de doentes, já que sem informação não há conscientização a respeito das profilaxias das DSTs. De acordo com o Ministério da Saúde (MS), só de HIV -uma das infecções mais graves- teve um aumento de, a cada 100 mil habitantes, 16,2 casos, em 2005, para 33,1, em 2015, principalmente entre os jovens. Desse modo, aqueles que não possuem uma fonte confiável de conhecimento sobre sexualidade acabam por aprender por outros meios ruins ou ficam defasados nesse quesito. Como consequência disso, a quantidade de infectados continua a crescer, o que demonstra que a educação está diretamente relacionado à variação dessa taxa.

Além disso, a falta de prevenção ajuda ainda mais na proliferação dessas doenças, uma vez que por acharem que não tiveram contato ou nunca adquiriram alguma das DSTs, não pegarão-nas. Segundo o conceito de Habitus, desenvolvido pelo sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade incorpora as estruturas que são impostas à sua realidade, neutralizando e reproduzindo-as. Desse modo, tal ilusão de invulnerabilidade faz com que esses indivíduos não adotem medidas de proteção sexual. Conforme os dados oferecidos pelo MS, em 2013, 6 em cada 10 jovens disseram ter feito sexo sem preservativo.

Assim sendo, é indispensável a tomada de providências capazes de assegurar o acesso às informações e o aumento da prevenção. Portanto, tange ao Ministério da Saúde, em parceria com as escolas, promover palestras para os alunos e suas famílias. Sendo que essa ação deve ser feita por meio de reuniões ao longo do ano para a abordagem das DSTs e suas profilaxias -uma vez que os jovens aprenderão desde cedo e os pais repassarão tal conhecimento aos seus filhos-, com o objetivo de reduzir a taxa de infectados. Cabe também ao MS, aumentar o número de campanhas sobre as doenças sexualmente transmissíveis e da importância do uso de preservativos nas mídias. Tal ação deve ser realizada via propagandas em canais de TV, internet, cartazes e panfletos -já que as pessoas fazem sexo e correm o risco de serem contaminadas o ano inteiro-, com o fito de aumentar a utilização de métodos preservativos. Com isso, o problema no Brasil irá atenuar-se.