O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 04/09/2019

Em 1948, a Organização Mundial das Nações Unidas promulgou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, documento que garante a todos o direito à saúde e bem-estar social. Entretanto, no Brasil, o crescimento das doenças sexualmente transmissíveis coloca o país longe de experimentar essas garantias na prática, pois essas enfermidades debilitam a qualidade de vida da população. Com efeito, para frear essa proliferação, há de se desconstruir o preconceito e a omissão escolar sobre o tema.

Em primeiro plano, evidencia-se que o preconceito em relação à questão possibilita o aumento de infectados no território brasileiro. A esse respeito, o filme “Clube de Compras Dallas” mostra uma realidade na qual o personagem principal foi diagnosticado com AIDS, pois ele não usou camisinha já que acredita que a doença se limitava aos homossexuais. Fora da ficção, mas com mentalidade semelhante ao filme, parte dos brasileiros associam - equivocadamente - os DSTs como exclusividade do público LGBT. Essa realidade, marcada pelo preconceito enraizado, gera uma sociedade que, segundo o Ministério da Saúde, apenas 40% das pessoas usam preservativos durante o sexo, o que possibilitaria a transmissão das doenças sexuais. Dessa forma, para reverter essa lógica, é imprescindível desfazer essa mentalidade vigente.

De outra parte, a falta de conscientização nas escolas também potencializa o aumento de infectados. Nesse viés, de acordo com Paulo Freire, a educação deveria abordar os diversos temas para estimular a criticidade dos alunos. Contudo, o modelo educacional brasileiro foca apenas na reprodução de conteúdos e, consequentemente, desconsidera assuntos como educação sexual, por exemplo. Nesse contexto, os jovens, por não terem sidos conscientizado no modelo freiriano, acabam, muitas vezes, não conhecendo os perigos de uma vida sexual sem proteção, o que gera o aumento de portadores de doenças sexualmente transmissíveis. Logo, enquanto o meio escolar não for usado para conscientizar, o Brasil será obrigado a conviver com a propagação das DSTs.

Portanto, urge a necessidade de ações para frear o crescimento de infectados no país. Nessa perspectiva, a sociedade civil deve, em caráter de urgência, desconstruir, por meio de debates nas redes sociais, o preconceito enraizado na sociedade brasileira, para reverter a ideia errônea de que as DSTs só acometem os homossexuais, o que estimularia a preservação por parte de todos. Ademais, cabe ao Ministério da Educação promover, por intermédio de palestras que enfatizem a importância do uso da camisinha, educação sexual nas escolas, com o intuito de usar o espaço escolar para conscientizar sobre doenças sexuais, medida que faria os jovens se prevenirem com maior regularidade. Assim, a população poderá experimentar o bem-estar proposto pela Declaração dos Direitos Humanos.