O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 09/10/2019
A Constituição Federal, promulgada em 1988, garante a todos os brasileiros o direito à segurança, à educação e à saúde. Entretanto, observa-se a ineficiência na aplicação dessa normativa ao se constatar que, segundo o Ministério da Saúde, mais de um milhão de idosos - com idade acima de 65 anos - são portadores de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), tais como HIV, sífilis e herpes. Com efeito, a alta taxa de propagação de DSTs em idosos, na contemporaneidade, configura-se como um grave problema, no Brasil, que tem como causas o tabu social em torno do tema e a desinformação.
Em primeira análise, cabe pontuar que a prática sexual na terceira idade ainda é um tabu na sociedade brasileira em consequência da percepção cultural, que atribui o usufruto da sexualidade à juventude, por questões relacionadas, por exemplo, à procriação e à aparência. A despeito do preconceito socialmente implícito, a prática sexual entre idosos tem aumentado vertiginosamente nos últimos anos, conforme dados divulgados pelo jornal “O Globo”. Consequentemente, essa amplificação, associada ao tabu social, que resulta em restrições ao acesso a informações sobre sexo seguro, acentuada com a despreocupação da possibilidade de gravidez, desencadeia na população idosa a arbitrariedade em relação ao uso de preservativos, o que favorece a propagação das DSTs.
Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Sob essa lógica, é possível compreender que, se os idosos não têm acesso à informação qualificada acerca das consequências advindas do ato sexual sem proteção, sua visão será limitada, o que contribui para a persistência do problema. Além disso, o uso de preservativos somente foi amplamente difundido, no Brasil, na década de 90, quando os índices de infecção por HIV estavam alarmantes, sendo que o público alvo dessas campanhas não eram os idosos, mas sim os jovens. Logo, percebe-se que a população idosa carece de atenção do Estado e da sociedade para que sejam alertados sobre a importância de prevenirem-se contra as DSTs.
Portanto, para que a propagação de DSTs entre os idosos seja reduzida, o Ministério da Saúde deve investir em campanhas publicitárias direcionadas aos idosos, por meio da mídia televisiva e da internet, a fim de que esse público tenha acesso a informações corretas acerca dos riscos inerentes à prática sexual insegura, assim como das formas de prevenção e de tratamento, em caso de infecção. Da mesma forma, essas campanhas devem promover uma ampla desconstrução cultural associada à sexualidade na terceira idade, a fim de engendrar na sociedade uma nova perspectiva consoante à liberdade de escolhas e de vivências. Assim, espera-se que essas ações favoreçam a aplicação efetiva da Constituição Federal, pois, como descreveu o poeta Leminski: “Em mim, eu vejo o outro”.