O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 19/10/2019

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão do aumento de infectados por doenças sexualmente transmissíveis no Brasil. Nesse contexto, torna-se explícito como causas desse problema a falta de informação por parte da população, bem como o preconceito existente em no país ao se tratar de assuntos relacionados à sexualidade.

A princípio, vale ressaltar que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a falta de informação por grande parte da população sobre os riscos que doenças como sífiles, aids e hepatite podem trazer para a saúde humana que ocorre devido a negligência de criação de campanhas por órgãos da saúde, rompe essa harmonia. Tendo em vista que, segundo a Unaids, os casos de HIV tiveram um aumento nos últimos anos, além de registrar também, mortes decorrentes da mesma doença. Desse modo, tem-se como consequência, a generalização da injustiça e a prevalência do sentimento de insegurança coletiva no que se refere ao número de infectados por tais doenças.

Ademais, a quantidade elevada de indivíduos portadores de DSTs encontra terra fértil no individualismo. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Baumam defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há, como consequência a falta de empatia, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez que influi sobre à questão do aumento de cidadãos infectados funciona como um forte empecilho para a sua resolução.

É evidente, portanto, que ainda há entraves na solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor. Para que isso ocorra, o Ministério da Educação em conjunto com o Ministério da Saúde devem promover palestras e campanhas em escolas, voltadas para toda a população, com entrevistas de pessoas que são vítimas das doenças, além de especialistas no assunto, a fim de levar conhecimento aos cidadãos e minimizar o preconceito. Essas palestras devem ser transmitidas também, nas redes sociais dos ministérios, para que assim, atinja o maior número de pessoas. E por fim, como já dito pelo pedagogo Paulo Freire: “A educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo”.