O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 24/04/2020
O filme “Filadélfia” discorre sobre a vida de Andrew Beckett, um advogado que foi injustamente demitido da firma onde ele trabalhava após ter sido diagnosticado com o vírus HIV, causador da AIDS, e levou o caso ao tribunal. De fato, a trajetória de Andrew expõe uma realidade vivida pelos portadores de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) no Brasil, haja vista que, reiteradamente, esses indivíduos têm sua dignidade e sua cidadania negligenciadas pela sociedade. Nessa perspectiva, é fulcral analisar os efeitos da imposição de valores sociais aos infectados, bem como a ineficaz garantia de direitos constitucionais aos soropositivos.
É profícuo salientar, a princípio, que características alijadas das normas culturais vigentes num período histórico corroboram para a atribuição de estereótipos a determinados indivíduos. Tal fenômeno é ratificado pelo sociólogo canadense Erving Goffman, que definiu o termo “estigma social” como um comportamento irracional pautado na desvalorização e na opressão de alguns grupos, acarretando a marginalização social. Diante do supracitado, percebe-se que a imposição de uma imagem pejorativa aos portadores de DSTs constitui uma estigmatização, a qual fomenta o preconceito e a difusão de discursos de ódio contra os soropositivos devido à criação de uma ideologia opressora por parte das demais parcelas da população.
Outro ponto relevante, nessa temática, relaciona-se ao conceito de cidadania para o sociólogo britânico Thomas Humphrey Marshall, que é definido como a garantia plena de direitos políticos, civis e sociais a todos os cidadãos. Em contrapartida, ao analisar o panorama dos soropositivos no Brasil, denota-se que ele vai de encontro à visão do sociólogo, uma vez que esses indivíduos, frequentemente, têm alguns dos seus direitos negados devido à marginalização social proveniente da estigmatização. Por conseguinte, a cidadania dos portadores de DSTs não é efetivada, dificultando o acesso desses infectados à educação de qualidade e ao mercado de trabalho.
Em suma, observa-se que tanto a construção de uma imagem pejorativa quanto a negação de direitos constitucionais são problemas que afetam os portadores de DSTs. Posto isso, com o intuito de desconstruir o estigma atribuído a essa parcela da população, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de parcerias com redes de televisão, campanhas que serão expostas nos intervalos das programações. Essa medida deverá explicitar os efeitos da opressão social tangente a esses indivíduos no descumprimento de seus direitos civis e sociais, estimulando a empatia dos telespectadores. Somente assim, poder-se-á criar um paradigma mais favorável aos soropositivos e situações como a retratada no filme “Filadélfia” deixarão de ser uma realidade.