O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 30/07/2020

Gonorreia. Herpes genital. Sífilis. HPV. AIDS . Todos esses elementos constituem alguns exemplos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) mais comuns no Brasil. Segundo dados do Boletim Epidemiológico de Sífilis 2019, realizado pelo Ministério da Saúde, foram notificados mais de 150.000 casos da doença no país, um aumento de 28% em relação ao ano anterior. O aumento vertiginoso de infectados por DSTs e ISTs é um grave problema de saúde pública brasileiro e é necessário o seu combate, entendendo suas causas - sobretudo em aspectos culturais - e informacionais.

Em primeiro plano, é preciso destacar que esse aumento de infectados é reflexo direto de uma cultura nefasta,ainda latente em boa parcela da sociedade brasileira,que trata sexo e sexualidade ainda como um tabu. Segundo Freud, médico e psiquiatra austríaco, em sua obra “Totem e tabu”, os tabus restringem o diálogo,impossibilitando a construção e a internalização do conhecimento. Nessa perspectiva, como nas sociedades cristãs em geral esse assunto não é abertamente falado, dificulta-se a discussão dessa temática nas esferas escolar e familiar, consolidando um círculo de desinformação sobre essas doenças,seja de suas formas de prevenção, seja de suas formas de tratamento. Tal fato colabora para a perpetuação de experiências sexuais sem o uso do preservativo, aumentando a disseminação e contágio dessas doenças, além de gerar mais gastos ao sistema de saúde público.

Além dessa questão cultural, é imprescindível avaliar ainda que a banalização dessas doenças venéreas coopera negativamente com essa proliferação desenfreada. Isso porque, com os avanços científicos da medicina no tratamento dessas ISTs,aumentando a expectativa de vida e minimizando alguns sintomas, houve a difusão de uma ideia equivocada de que as mesmas se tornaram menos graves ou que foram erradicadas. Essa conjuntura provocou na sociedade, em especial nos estratos mais jovens, um relaxamento com as formas de prevenção e proteção durante as relações sexuais e devido a banalização dessas doenças, muitos não realizam testes para detectar HIV, o que provoca uma disseminação ainda maior da  doença sexualmente transmissível.

Fica claro, portanto, que é necessário combater veementemente essa realidade de aumento do número de infectados por essas doenças a fim de solucionar esse quadro dramático de saúde pública brasileiro.Nessa perspectiva, as escolas, valendo de sua função social transformadora da sociedade,com o objetivo de formar cidadãos conscientes,devem informar e incentivar pais e alunos sobre a importância do uso dos preservativos. Isso poderia ser realizado por intermédio de palestras e debates nas aulas de biologia - ensinando o ciclo e formas de prevenção dessas doenças – assim também como a discussão do tema nas aulas de sociologia a fim de desconstruir esse tabu cultural.