O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 10/09/2020

Análoga à Primeira Lei de Newton, a Lei da Inércia, a qual afirma que um corpo tende a se manter movimento até que uma força externa atue sobre ele mudando seu trajeto, o aumento de infectados por DSTs no Brasil é um problema que persiste intrinsecamente na realidade brasileira. Com isso, ao invés de existirem forças capaz de mudarem seu percurso, o distanciamento familiar e preconceitos corroboram para o agravamento do impasse.

A priori, cabe ressaltar que as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) ainda são vistas como um tabu entre as famílias. Isso advém do processo de liquefação das relações contemporâneas apresentadas pelo filósofo Zygmunt Bauman, em que relações sólidas dão espaço para as líquidas e superficiais. Nesse viés, os jovens não debatem sua intimidade e problemas, criando uma barreira entre eles e o conhecimento básico sobre as doenças. Dessa forma, a falta de contato com o contato com o tema tem levado adolescentes a não se cuidarem, e portanto, elevarem os números de infecções.

Concomitantemente, há fatores culturais, como o preconceito sob aqueles infectados por DSTs. Tal fato ocorre como consequência de uma falácia de que essas doenças seriam “doenças dos gays”, gerando uma despreocupação por parte de outros grupos sociais. Entretanto, segundo o site G1, a AIDS cresceu mais entre heterossexuais que homossexuais nos últimos 20 anos. Sob essa ótica, é notório que as enfermidades não são restritas à grupos, mas são consequências do não uso de preservativos. Dessa maneira, evidencia-se que a educação sexual é a porta para retirada dessas falácias culturais.

Urge, portanto, a necessidade de medidas interventivas para atenuar o impasse. Posto isso, concerne ao Ministério da Educação, em consonância com o Ministério da Saúde, incrementar à Base Nacional Comum Curricular a matéria Educação Sexual, a qual trará participações de agentes de saúde, por meio da capacitação do corpo docente da esfera pública com palestras e cursos, a fim de ensinar aos alunos sobre a existência das DSTs e a profilaxia básica de cada uma. Ademais, incluir na matéria atividades com participação dos pais ou responsáveis do alunos, a fim de abrir a porta para liberdade de diálogo entre pais e filhos. Dessa forma, irá criar-se uma força suficientemente capaz de mudar esse caminho.