O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 26/09/2020
Apático, doente e sob os holofotes. O final da vida do cantor e compositor Cazuza impactou a sociedade nos anos 90, vítima do vírus HIV - provocando uma série de medidas e debates sobre o combate às doenças sexualmente transmissíveis na época. Apesar dessa evidente abordagem, no cenário atual, os índices de infectados por doenças desse tipo voltaram a crescer devido às falsas concepções de superação da AIDS, uma vez que a crença de que não há riscos alicerça o desuso de preservativos. Junto a isso, estão a vaga orientação sexual por parte da família e da escola, de modo que ambas não respaldam o diálogo com os indivíduos no início da vida sexual.
A princípio, é fundamental destacar que a falta de diálogo em casa, somado à ignorância coletiva, cristaliza o crescente panorama de infectados por essas doenças. Dessa forma, percebe-se que os valores conservadores, que estigmatizam as relações sexuais como tabu, revelam a inflexibilidade nas conversas interpessoais familiares como inviabilizadora da construção da responsabilidade individual e coletiva do uso de medidas protetivas nessas relações. A exemplo disso, estão os dados da Sinan (Sistema Nacional de Informação de Agravos e Notificação) com 158.000 casos de confirmados com Sífilis em 2018 no Brasil. Com isso, nota-se que o aumento nos dados de positivos é resultado inegável da vaga abordagem dos pais acerca o sexo e suas prevenções, o que mantém a desinformação sobre esse enunciado.
Ademais, nota-se também que a exclusão da abordagem educativa sexual na escola, em conjunto às conclusões equivocadas, solidifica a problemática sanitária das doenças transmitidas sexualmente. Essa questão é evidenciada pela crise dos valores educacionais nos espaços acadêmicos, já que a escola deixou de ser um espaço de debate sobre diversos assuntos cotidianos, como o início da vida sexual e medidas preventivas, o que solidifica uma concepção ingênua de que o uso da camisinha é desnecessário. Como exemplo disso está a frase de Sócrates: “Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância.” que figura a ausência do ensino eficaz como fator agravante na quantidade de infectados por doenças transmitidas sexualmente.
Compreende-se, portanto, que a ignorância do tecido social, juntamente à vaga abordagem sexual educativa da família e do ambiente escolar, como causadora do aumento de diagnosticados com doenças transmitidas sexualmente. Com isso, cabe ao Governo Federal, em parceria com empresas midiáticas, a ampla divulgação de informações sobre doenças desse tipo, através de palestras e textos com elementos voltados ao público jovem nas mídias sociais, com a finalidade de gerar a construção crítica sobre a importância do uso do preservativo , para que assim haja a redução dessa problemática.