O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 22/11/2020

O ídolo Cazuza teve sua morte precoce decorrente da infecção pelo vírus HIV, causador da AIDS. Essa patologia que teve sua onda no passado, ainda hoje, faz vítimas, o que é reforçado pela existência da “Sociedade Viva Cazuza”, organização não governamental que oferece suporte para crianças e adolescentes vítimas da doença. A partir disso, é indubitável que vários fatores podem gerar um surto da doença atualmente, principalmente, o estilo de vida do brasileiro. Desse modo, apesar da saúde ser direito de todos, a cultura nacional, muitas vezes, sabota os indivíduos e ocasiona graves consequências como aumento de infectados por doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) no país. Dado isso, é revelada a relevância do tema e essa situação cabe uma análise.

Antes de tudo, vale salientar que a Constituição Federal de 1988 do Brasil assegura saúde a todo cidadão como direito básico e dever do Estado. Entretanto, no que tange as DSTs isso segue como um desafio. Sendo assim, tornam-se ordinários dados como os trazido pelo Ministério da Saúde que mostram que de 2014 para 2015 os casos de sífilis — doença bacteriana sexualmente transmissível que atinge a região genital em ambos os sexos —aumentaram em 32,7% em gestantes. Desse jeito, fica claro que mesmo com a obrigatoriedade do suporte pelo governo, as patologias sexuais ainda impactam na saúde do brasileiro.

Ademais, um fator que contribui para a disseminação das DSTs é um atributo cultural brasileiro que Sérgio Buarque de Holanda chamou de “cordialidade“. O autor, na sua obra “Raízes do Brasil”, constrói a figura do indivíduo nascido no país como “Homem Cordial”, no qual, preza a emoção em detrimento da razão. Dessa forma, esse modo de vida impacta nas relações dentro da sociedade e na perpetuação das DSTs, já que no envolvimento sexual muitas vezes o preservativo é esquecido, ou mesmo, a confiança no parceiro é justificativa para o não uso dos métodos contraceptivos.

Portanto, medidas devem ser tomadas para resolver esse impasse. Com isso, cabe ao Ministério da Saúde em parceria com as escolas ofertarem informações de qualidade para evitar que essa onda de casos se propague ainda mais. Isso poderá se dar por meio de um projeto de lei entregue à Câmera dos Deputados. Nesse plano devem ser incluídas as ações como palestras e eventos nas instituições de ensino, nos quais, conteúdos acerca de educação sexual e uso de preservativos devem ser abordados por profissionais competentes da área, de forma descontraída e clara. Para assim, consolidar uma cultura de cuidado e preservação sexual, sobretudo, entre os jovens que poderão perpetuar esses hábitos a longo prazo. Dessa maneira, será possível conter o aumento do número de infectados por DSTs no Brasil.