O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 17/11/2020
Na década de 90, o Brasil lamentou a morte do ídolo Cazuza, vítima da Aids. Sua morte foi usada como exemplo para espalhar o “terror do vírus”, principalmente entre os jovens. Nesse sentido, campanhas de conscientização sobre a utilização de camisinha, por exemplo, teve um grande impacto na sociedade da época. Entretanto, atualmente, o medo desse vírus e de outras ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) aparenta ter sido superado devido a evolução da medicina, que possibilitou a sensação de “controle” das enfermidades. Além disso, os elevados índices de doenças mentais ocasionam uma busca por preenchimento, muitas vezes satisfeita com sexo desprotegido.
Em primeiro lugar, é válido relembrar o avanço da medicina e como isso cristalizou uma conotação “do passado” para as infecções. Dessa maneira, cabe mencionar o estudo britânico The Lancet, que afirma: a expectativa de vida de pessoas soropositivas — portadoras do vírus HIV — são quase iguais a de pessoas sem o vírus. Pesquisas como essa simulam, para a população, que uma das mais conhecidas e perigosas IST, a Aids, conseguiu ser “remediada” e agora é possível ter uma “vida normal”. Esse senso comum é um dos grandes causadores dos aumentos de ISTs no país, pois a perca do medo gera a derrota dos meios de proteção, tornando a população vulnerável a não somente o temido HIV, mas a todas as outras enfermidades, como a Herpes genital e a Sífilis.
Em segundo lugar, é importante ressaltar a relevância das doenças mentais e como elas impactam no aumento de enfermidades sexuais. Nesse contexto, é válido citar que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, a depressão vai ser a doença mais incapacitante até 2020. Além disso, é fato que ela ocasiona “vazio existencial” e uma tristeza paralisante, tornando as pessoas mais suscetíveis a buscar por uma fuga ou sentido da vida, que muitas vezes é preenchido com relações sexuais não-duradouras. Essa busca, associada à falta de medo das ISTs presente na sociedade hodierna, ocasiona a não-utilização de camisinhas na hora do sexo, possibilitando a transmissão de infecções.
Sendo assim, o aumento de ISTs na comunidade é uma ameaça à saúde social e é inegável a necessidade de debates para amenização. Portanto, é imperativo que o Ministério da Educação crie a matéria “Educação Sexual” nas escolas e a torne obrigatória no currículo de pré-adolescentes e adolescentes, já que estão no período de descobertas fisiológicas, sociais e mentais. Essa disciplina terá como foco o ensino de todas as ISTs, como elas são transmitidas, os sintomas e as consequências, além da instrução sobre métodos de proteção. É imperativo também que, junto a isso, a escola faça palestras mensais dedicadas aos pais, onde será abordado a problemática das ISTs e como ameniza-la. Assim, a sociedade ficará ciente da adversidade e haverá uma redução do problema citado.