O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 22/11/2020
Desde a revolução sexual, ocorrida na década de 60, a sociedade ocidental tem adquirido maior liberdade no que tange ao comportamento dos indivíduos. Outrossim, este movimento também trouxe à tona novas maneiras de contracepção, e uma maior conscientização sobre as doenças sexualmente transmissíveis. Entretanto, na contemporaneidade se observa um aumento gradativo de enfermidades dessa natureza, principalmente entre o público adolescente. Neste contexto, destacam-se dois fatores que contribuem para o agravamento deste cenário: a precariedade na comunicação sobre este tema, assim como seu maior impacto sobre as classes menos favorecidas.
Em primeiro lugar, é necessário apontar a deficiência do diálogo entre jovens e adultos sobre assuntos de caráter sexual, seja no espaço escolar ou no doméstico. Este quadro tem como causa tabus enraizados na sociedade brasileira, perpetuados por visões conservadoras de setores religiosos, e que consequentemente dificultam a interlocução sobre estes assuntos, assim como contribuem para uma maior repressão sexual. Neste sentido, a ausência de educação sobre estes aspectos, principalmente em idade formadora, pode resultar na descoberta sexual de forma imprudente e precoce, possibilitando, inclusive, maior probabilidade de infecções venéreas.
Além disso, outro fator que deve ser abordado, está relacionado a como cidadãos em situação de pobreza estão sob maior vulnerabilidade de contrair DSTs. Tal panorama está correlacionado a fatores estruturais, dado a imensa disparidade econômica observada no território nacional, que impedem tais grupos de um acesso mais amplo às informações relevantes para o combate e prevenção destas doenças. Ainda, questões derivadas da insegurança econômica como a fragilidade do espaço familiar, evasão escolar, necessidade de trabalhar na adolescência, assim como o uso de drogas, podem ser determinantes na contaminação por mazelas de cunho sexual.
Em resumo, é tangível a relevância de fatores sociais e econômicos para a compreensão do aumento de casos de DSTs na população brasileira. Dessa forma, urge que o Ministério da Saúde, por meio de peças publicitárias e ações de conscientização, atente jovens e adolescentes para a importância do uso de preservativos e contraceptivos, mitigando a proliferação e contração dessas enfermidades. Ademais estas intervenções devem ter foco no meio digital, tendo em vista o público alvo deste fenômeno. Assim, será possível tornar a população mais saudável e responsável, livre para desfrutar dos direitos difundidos pela Revolução Sexual.