O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 08/01/2021
O livro “Estação Carandiru”, escrito por Dráuzio Varella, aborda o cotidiano da Casa de Detenção de São Paulo. Nesse contexto, o enfoque do relato é voltado para os altos índices de portadores de HIV no presídio e para as medidas adotadas pelo médico, a fim de reverter esse quadro. Semelhante à obra literária, a realidade brasileira também é marcada pela presença de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) que, sem a devida atenção do Estado, tem se tornado um problema nacional. Assim, entre os fatores que contribuem para solidificar esse quadro, destacam-se a ineficiência das políticas estatais, bem como o estigma social.
Decerto, o retrocesso das medidas públicas de combate e de prevenção das DSTs contribui para o problema supracitado. Sob tal ótica, embora a Constituição Federal assegure que a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas, percebe-se que a atual postura governamental não cumpre com o exposto em tal documento. Diante disso, é notável que a veiculação de campanhas educativas e o esclarecimento dos sintomas -essenciais para a redução do contágio- ainda são pouco explorados pelo Ministério da Saúde. Por conseguinte, a ineficiência política, além de violar o direito constituinte, corrobora para o aumento de casos.
Outrossim, é perceptível o tabu social acerca das infecções sexualmente transmissíveis. De maneira análoga a esse cenário, o filme “Filadélfia”, protagonizado por Tom Hanks, retrata a vida de um homem homossexual que descobre ser portador da AIDS. Nesse viés, a trama expõe que o personagem chega a perder o emprego por causa de seu diagnóstico, associado erroneamente à sua orientação sexual. Fora da ficção, casos semelhantes também são presenciados em solo brasileiro, pois ainda existe um preconceito velado ao tratar de temas ligados à sexualidade. Dessa forma, os estereótipos sociais, além de limitarem os debates e informações acerca dessas enfermidades, contribui para que os infectados -com receio de sofrer discriminação- não procurem atendimento.
Destarte, frente a provectos fatores governamentais e preconceito, o aumento de infectados por DSTs tem sido uma realidade. Assim, o Ministério da Saúde, como instância máxima da saúde pública, deve adotar estratégias no tocante à melhorar as medidas profiláticas e alertar a população sobre tais enfermidades. Essa ação pode ser feita por meio de campanhas nacionais de prevenção disseminadas durante todo o ano e através de palestras que informem a população sobre os sintomas e a importância do tratamento, a fim de reduzir os casos e de aumentar a eficiência das políticas públicas. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, através de debates, mitigar os estigmas presentes, com o fito de reduzir a discriminação. Somente assim, a obra “Carandiru” não será mais condizente com a realidade.