O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 05/08/2021

Na série “Sex Education”, disponível na Netflix, o protagonista Otis, filho de uma terapeuta sexual, cria uma clínica de educação sexual com seus amigos para tentar resolver os problemas sexuais dos alunos. A série usa histórias dos personagens para problematizar, esclarecer e ensinar sobre sexualidade. No entanto, é notório que fora da ficção tais ensinamentos não são distribuídos com êxito, o que gera um aumento de doenças sexualmente transmissíveis no Brasil. Sob essa perspectiva, urge analisar a negligência estatal e a falta de informação como fatores que dificultam a resolução do quadro.

A princípio, cabe observar que a negligência estatal apresenta relação íntima com o aumento do problema em questão. Conforme assegura a Constituição Federal de 1988, o direito à saúde é inerente a todos os cidadãos brasileiros. Entretanto, tal prerrogativa não é colocada com ênfase na prática quando se percebe que com a falta de políticas públicas cada vez mais pessoas são infectadas por DSTs no Brasil, o que acarreta, consequentemente, em uma crise na saúde populacional. Essa conjuntura, de acordo com as ideias do filósofo iluminista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre com a sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, o que infelizmente é evidente no país.

Em segundo plano, vale postular que a falta de informação é um grande entrave para resolução da problemática. De acordo com dados do Uol, cerca de um quinto da população brasileira acha que existe cura para a Aids, quase três quartos nunca fez o teste de HIV na vida e em média 60% dos jovens entre 15 e 24 anos tem relações sexuais sem preservativos. Dado o exposto, fica evidente que a desinformação tem ligação direta com o aumento de infectados por doenças sexuais já que tais acontecimentos poderiam ser resolvidos com a distribuição de conhecimento sobre os tipos de enfermidades, como reconhecer e, principalmente, como evitar a contaminação. Logo, fica evidente que é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Levando em conta o que foi discutido, depreende-se, portanto, que medidas sejam tomadas para combater esses obstáculos. Para isso, faz-se imperioso que o Estado, na condição de garantidor dos direitos individuais, faça, por intermédio do Ministério da Saúde, palestras para que seja distribuído conhecimento acerca do assunto. Paralelamente, é imprescindível que as redes midiáticas, como televisão e redes sociais, ajudem a informar a população, mediante anúncios, com o intuito de obter uma população mais saudável e menos alienada. Dessa forma, seria possível atingir uma sociedade na qual o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, assim como afirma John Locke.