O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 03/09/2021

Clamídia, gonorreia, sífilis e HIV. Essas são as doenças sexualmente transmissíveis mais comuns, afetando uma em cada 25 pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse problema também é comum no Brasil. Pois, a despeito das campanhas e dos alertas dos médicos, apenas um pouco mais da metade da população sexualmente ativa usa preservativo na relação sexual. Nesse sentido, a negligência do grupo em questão, somada ao preconceito de parte significativa da sociedade, tornaram-se aliados da explosão de casos no país.

Em primeira análise, cabe pontuar que os avanços da medicina moderna são fatores relevantes que justificam as atitudes negligentes dos jovens em relação ao uso de preservativos. Esses progressos deixaram os números de casos fatais relacionados às ISTs abaixo dos registrados décadas atrás. Nesse contexto, é possível notar que parte da população não compreende a gravidade de tais doenças, fato esse que aumenta a frequência das relações sexuais sem proteção e, consequentemente, o número de infectados. No entanto, essas atitudes colocam em risco à saúde da coletividade, já que, segundo a teoria da evolução de Darwin, os vírus e bactérias responsáveis pelas doenças, por meio de seleção natural, podem se tornar resistentes aos medicamentos utilizados para o seu combate. Desse modo, observa-se que há a necessidade de se criar métodos efetivos para atenuar essa problemática.

Ademais, em razão de prejulgamentos sociais, os portadores de ISTs são vistos como pessoas promíscuas, em virtude de dogmas religiosos que fizeram parte da formação da cultura nacional, há uma vulgarização do ato sexual fora de uma união matrimonial e tais doenças, geralmente, estão relacionadas às relações sexuais casuais. Dessa maneira, a redução de campanhas de conscientização figura-se como um dos principais motivadores desse contexto. Segundo o sociólogo, Zygmunt Bauman, algumas instituições – dentre elas, o Estado – deixaram de desempenhar o seu papel social e configuram-se como “instituições zumbis”, delegando à população a resolução dos seus problemas. Partindo dessa noção, o papel do Estado é fundamental para que o jovem entenda a importância de se prevenir.

Portanto, para mitigar esse aumento crescente nos casos de contaminação, é imprescindível que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, crie campanhas que visem mostrar aos jovens os riscos da prática sexual sem o uso de preservativo. Elas deverão ser divulgadas nas as escolas de todo o país, por intermédio de médicos especialistas e de forma que proporcione debates periódicos entre alunos e professores sobre as ISTs. Assim, serão quebrados os tabus que prejudicam sua qualidade de vida e evitadas as consequências de atitudes negligentes.