O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 07/09/2021
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria treponema palidum, facilmente tratável com antibióticos de fácil acesso em todo o Brasil. Considerando esse cenário e os avanços na saúde, é de de pensar que tal doença já nem existisse mais. No entanto, a realidade é outra: tal qual outras IST, a sífilis se mantém em níveis crescentes e alarmantes, onerando o sistema de saúde pública e necessitando de enfrentamento urgente.
É incongruente e preocupante a conexão entre a facilidade de acesso ao tratamento de doenças como a sífilis e a dificuldade de erradicá-las. Isso ocorre porque existe um descaso de parte da população acerca do uso do preservativo, que é uma medida simples de evitar o contágio. O avanço da doença também se dá porque muitos jovens tendem a achar que são imunes a aquisição de IST. No entanto, esse pensamento é um equívoco, pois essa faixa etária correponde à mais sexualmente ativa e que geralmente tem menos acesso à educação sexual, o que aumenta o contágio e perpetua o problema. Tal contexto é confirmado pelo boletim do Ministério da Saúde (MS) de 2020, que mostra que só na última década houve um aumento de mais de 3000% da sífilis adquirida.
Somado a esse desafio com o crescimento da doença, a sífilis gera ainda preocupação por onerar o sistema de saúde. Isso ocorre porque, ainda que seja uma doença evitável, quando instalada há necessidade de tratamento, o que requer alto investimento em antibióticos. Sem contar no fato de que a doença dobra a incidência de partos prematuros em gestantes infectadas, o que aumenta a ocupação de leitos de uti neonatal e até a mortalidade infantil.
A sífilis pode parecer uma simples IST, mas se mostra de difícil controle e com potencial avassalador. Para combatê-la é necessário um corte na cadeia de transmissão da doença por meio da prevenção e do tratamento. No que tange ao tratamento, é necessário que o MS cumpra adequadamente as políticas públicas de combate à doença, garantindo atendimento qualificado aos infectados. Para a prevenção, cabe ao mesmo órgão citado sensibilizar a população para o uso do preservativo por meio de campanhas na mídia nacional. Ao governo federal, em parceria com o MEC, cabe garantir o acesso à educação sexual de qualidade nas escolas, tanto para jovens como adolescentes. Desse modo, não só a sífilis, mas todas as doenças sexualmente transmissíveis serão combatidas com eficácia e se tornarão apenas uma lembrança.