O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 06/07/2022

Na série da Netflix “Elite”, umas das personagens principais, Marina, convive com o vírus da aids (HIV), apresentando tabus, preconceitos e mitos sobre a doença, retratando como os familiares e a sociedade lida com esse estigma. Analogamente à ficção, no contemporâneo brasileiro, o crescimento de pessoas infectadas é cada vez mais alarmante. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: a relevância da educação sexual e a omissão governamental.

Nesse cenário social, é razoável analisar que a ausência da educação sexual no ambiente escolar e no núcleo familiar seja um dos agentes causadores do aumento de infectados por doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Segundo o inquérito domiciliar, Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas na População Brasileira (PCAP) de 2013, 43,4% dos jovens não se protegem durante o sexo casual e 21,6% pensa que existe cura para a Aids. Dessa forma, é possível notar a ignorância dos cidadãos brasileiros se tratando de educação sexual básica, sendo um dos motivos que corroboram esse fato, o ato sexual ser considerado um tabu pela sociedade, dificultando a dialogação sobre um assunto tão importante socialmente.

Além disso, é notório como a negligência estatal é um fator contribuinte para o crescimento de cidadãos infectados por DSTs, apesar da existência do Sitema Único de Saúde (SUS), o tal não supre as necessidades populacionais, sendo um programa muito decadente de investimentos públicos. Outrossim, mesmo com o fluxo veloz de compartilhamento de informações, a insuficiência do Estado é reafirmada com a escassez de campanhas publicitárias informativas sobre metódos preventivos e riscos de doenças. Desse modo, citando o filosófo Zygmunt Bauman, o Estado é uma Instituição Zumbi, vivo por fora, mas morto por dentro.

Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham conter a proliferação de doenças venéreas. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Saúde juntamente com o Ministério da Educação, formar jovens conscientes e informados a respeito da sua saúde sexual, por meio da implementação da matéria de educação sexual na Base Comum Curricular, além do aumento de veículos informacionais sobre as DSTs, com maior investimento na saúde pública brasileira, a fim de que haja uma diminuição na quantidade de cidadãos com doenças sexualmente transmissíveis.