O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 01/10/2017

No atual ano, a Rede Globo exibiu uma minissérie, intitulada como “Os dias eram assim”, em que retratava o Brasil antes e depois da Ditadura Militar. Nela, havia a personagem Nanda, uma jovem saudável e de classe média alta que contraiu o vírus HIV ao relacionar-se sexualmente sem prevenção. A novela quebrou um paradigma ao colocar uma mulher como portadora o vírus de uma doença muito atrelada aos homossexuais, considerados grupos de risco antigamente. Sob essa ótica, o aumento de infectados por doenças sexualmente transmissíveis (DST’s) no Brasil, dá-se mais pela falta de informação do que pela falta de prevenção, configurando um alarmante problema de saúde pública.

Mormente, nos anos de 1980 - período em que a personagem descobriu a doença -, pouco se conhecia sobre o vírus HIV e a AIDS. Em 1985, surgiu o exame que detectava se a pessoa era portadora ou não da doença - fato bem representado no último capítulo da novela, mostrando que o namorado da personagem não era portador, uma vez que fez o uso de preservativos em todas as relações sexuais e enfatizou que a doença não era transmitida através do contato, como o beijo e o abraço. Outra DST de alto índice e que acomete, em sua maioria, jovens e adultos entre 20 e 35 anos, é a sífilis. A doença, que muitas vezes é assintomática, mas que pode aparecer em forma de feridas na região genital masculina e feminina, também contamina prematuros por transmissão vertical.

Na esteira do processo do aumento da transmissão de DST’s, a expectativa de vida decresce para os indivíduos  infectados. Isso porque, de acordo com uma pesquisa do Ministério da Saúde, cerca de 60% das pessoas não utilizam preservativos. A ocorrência frequente da gravidez indesejada, correspondendo a 90% dos casos entre as mulheres jovens, e a falta de informação, como não entenderem a irreversibilidade da AIDS, o não reconhecimento dos sintomas e o desconhecimento de outras doenças, como a gonorreia e a clamídia, determinam a precoce irresponsabilidade comportamental dos brasileiros.

Torna-se notório, portanto, que o aumento de infectados por DST’s no Brasil alude-se à displicência. Para obter-se resultados vantajosos em prol do aumento da expectativa de vida, o Ministério da Saúde deve orientar projetos que promovam a informação em ambientes públicos, centros médicos e educacionais por meio de panfletos educativos e orientações médicas. As escolas precisam estimular a mudança de comportamento dos jovens com seminários especializados e palestras, com orientação psicopedagoga aos alunos e às famílias. Ademais, cada pessoa deve tomar a iniciativa de fazer os testes de DST’s e, em casos positivos, contatar os (as) parceiros e ex-parceiros (as) a iniciarem o tratamento. A articulação dessa pluralidade é impreterível para a otimização das relações interpessoais.