O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 02/10/2017
Desde o período colonial, o contato entre nativos e colonizadores não se limitou apenas na troca de culturas, mas também de doenças, entre as quais teria se disseminado pelos europeus aos índios brasileiros. Nesse sentido, a obra “Casa Grande e Senzala”, de Gilberto Freyre, aborda o tema,destacando a ignorância do povo daquela época que acreditavam que a sífilis não deveria ser motivo de preocupação. Entretanto, no Brasil, em pleno século XXI,mesmo diante de todo aparato tecnológico, o número de casos de doenças sexualmente transmissíveis( DSTs) têm aumentado, fruto de certa negligência do Estado e de instituições formadoras de opiniões no que diz respeito à escassez de medidas para combater tal realidade.
Com efeito, embora o governo tenha implementado, nos últimos anos, campanhas de prevenção, estas não foram suficientes para evitar o aumento de infectados por doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis, gonorréia, Aids, herpes, entre outras. De acordo com o ginecologista e obstetra, Geraldo Duarte, a causa do crescimento das DSTs deve-se à falta de conscientização. Nessa linha de pensamento, observa que grande parte dos anúncios educativos sobre as doenças sexuais se restringem, de modo geral, à Aids e ao HPV, dificultando, assim, o diagnóstico e tratamento das demais enfermidades. Isso é claramente observado nos dados disponibilizado pela Organização Mundial da Saúde, a qual constata que a cada um caso de Aids, tem-se quarenta casos de herpes.
Também merece destaque neste cenário o despreparo de determinados setores sociais, como a mídia e a escola, que, na maioria das vezes, fomentam suas campanhas educativas focando, apenas, no uso da camisinha como forma de combater as DSTs. Dessa maneira, deixa-se de discutir outras séries de medidas que possam efetivamente amenizar essa problemática, como: dialogar sobre as diversas orientações sexuais diferentes da heterossexuais, que são frequentemente marginalizadas e ignoradas, e que carecem, também, de cuidados; além da ausência de esclarecimentos sobre os sintomas da doença, como elas podem ser diagnosticadas e tratadas.
Para que se minimizem, enfim, o crescimento dessas doenças sexuais, urge haver um esforço do Governo, com o conveniente auxílio do Ministério da Saúde, para o aperfeiçoamento das campanhas preventivas,como alertar sobre a importância do uso do preservativo e dos sintomas das DSTs durante todo o ano, não exclusivamente no carnaval, além de oferecer medicamentos e equipamentos para o tratamento adequado. Além disso, cabe a algumas instituições, como núcleos familiares, os ambientes escolares ou a imprensa socialmente engajada propor debates sobre DSTs, focando nos conteúdos principais, mas também em todos os seus desdobramentos, como as diversas orientações sexuais.