O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 06/10/2017
Na década de 60, em Woodstock, nos EUA, o movimento Hippie se popularizou e, apesar de propagar o amor, contribuiu de forma maciça para a proliferação de doenças sexualmente transmissíveis, as DSTs. Quase cinquenta anos depois, já havendo uma maior consciência sobre a possibilidade de prevenção, a partir da camisinha, os números de infectados voltaram a crescer no Brasil. Esse fato preocupante se dá não somente graças ao desenvolvimento de métodos mais práticos para prevenir a gravidez, que era a principal razão para o uso do preservativo, como também devido aos estereótipos formados, que não são mais coerentes com a realidade, sobre os portadores das doenças.
Um dos principais motivos para o uso da camisinha era o fato dela prevenir a gravidez, assim, a proteção contra as DSTs seria um bônus trazido por ela. Contudo, quando as pílulas contraceptivas passaram a se popularizar, o uso do preservativo diminuiu consideravelmente, e, por conseguinte, o número de infectados por doenças como AIDS e Sífilis voltou a aumentar de forma preocupante. Nesse cenário, segundo o Ministério da Saúde, em dez anos, a quantidade de infectados pelo HIV dobrou, entre os jovens. Tal conjectura mostra a necessidade de ampliar ainda mais a conscientização sobre o uso da camisinha, independentemente de contraceptivos orais.
Em paralelo a essa questão, a sociedade comumente idealiza um padrão de comportamento e de aparência para aqueles que são portadores de DSTs. Contudo, hoje, mais do que nunca, essas doenças não tem mais um “rosto”. No início da popularização de doenças como AIDS, era comum ver um homem, magro e com trejeitos homossexuais e julgá-lo como soropositivo. Nesse exemplo existem duas questões graves que impedem os números de infectados diminuírem: além do estereótipo que não representa a realidade, o preconceito com o soropositivo cria um tabu que, muitas vezes, dificulta o tratamento por complicar a aceitação da doença.
Torna-se evidente, portanto, que o aumento de infectados por DSTs precisa ser combatido. Para tanto, o Ministério da Saúde, em parceria com as grandes emissoras nacionais, deve formular e divulgar de forma ampla nas mídias uma série de anúncios que choquem, em especial a população jovem, com imagens de pessoas afetadas por diversas DSTs, preservando a identidade destas, e mostrando que o simples uso da camisinha poderia ter prevenido a contaminação. Ademais, a sociedade civil organizada, a partir de ONGs como Viva Cazuza, façam palestras em empresas públicas e privadas, trazendo profissionais que discutam sobre os estereótipo das DSTs e desconstruam esses, assim, ajudando na aceitação das doenças e no posterior tratamento. Dessa forma, o amor poderá ser propagado com a segurança e proteção que Woodstock não teve.