O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 06/10/2017
Campanhas de conscientização são muito importantes para mudar hábitos de uma sociedade, a exemplo das inúmeras campanhas de combate ao tabagismo. Entretanto, embora existam campanhas de prevenção às DSTs, observa-se um aumento do número de infectados no Brasil. Assim, a insuficiência das campanhas se dá por uma consciência despreocupada somada a ainda dificultosa acessibilidade aos métodos de prevenção.
Em primeira análise é válido ressaltar o papel do comportamento da maioria. Segundo Durkheim, a consciência coletiva é capaz de coagir os indivíduos a agirem de acordo com as regras de condutas prevalecentes. Seguindo essa linha de pensamento, é possível observar que, especialmente entre os jovens, as patologias transmitidas pelo sexo não representam um risco iminente, prevalecendo, portanto, a relação sem preservativo, o que já representa 60% das relações. Assim, deve-se garantir que a existência do risco para que as pessoas busquem sempre a prevenção.
Outro ponto pertinente a ser considerado é a penosa distribuição de preservativos. Do Oiapoque ao Chuí existe, além da distância, diferentes realidades econômicas em que, historicamente, regiões e/ou classes sociais foram privilegiadas. Nesse sentido, embora haja uma lei que garanta a distribuição de camisinha de forma gratuita pelo Estado, observa-se que, em função da precarização do sistema de saúde, ela não é cumprida de forma igualitária, dificultando o acesso das famílias mais pobres. Desse modo, essa disparidade estrutural se mostra um dos desafios que aumenta a transmissão das moléstias.
Torna-se evidente, dessarte, que ao somar a ausência do risco com a disparidade estrutural do sistema de saúde tem-se o aumento dos infectados por DSTs no nosso país. Para reverter tal problemática, o Ministério da Saúde, enquanto órgão competente, deveria ampliar, por meio da realocação de recursos, pois têm se mostrado insuficientes, a distribuição de camisinhas em postos de saúde, para que seja garantido o acesso a todos. Ademais, cabe a mídia, na função de formadora de opinião, levantar o debate, na forma de ficção engajada ou reportagem, sobre a questão do uso de preservativos, expondo as consequências de sua negligência, para que as pessoas desenvolvam a consciência das doenças e propaguem a prevenção como valor.