O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 09/10/2017

Quando em 1981, na cidade de Los Angeles, foram identificados os primeiros casos de pneumonia por Pneumocystis carinii, a infecção pelo vírus da imunodeficiência humanas (HIV), tornava-se um problema global de saúde. Quase 40 anos depois, o mal provocado pelo vírus volta a ser motivo de preocupação, e não está sozinho: os índices de infecções por doenças sexualmente transmissíveis aumentou significativamente no Brasil, ao longo dos últimos anos. Nesse contexto, é preciso investigar as causas dessa epidemia, cuja incidência aponta para políticas públicas ineficazes no nosso país.

A priori, para traçar um diagnóstico a respeito do aumento de infectados pro DSTs, é imprescindível admitir que a falta de informação está entre as causas do problema. Segundo dados do Ministério da Saúde, o acréscimo se deu principalmente entre os jovens, chegando a dobrar os índices de afetados pelo HIV nos últimos 10 anos. Esse quadro demonstra uma falha no sistema educacional, que deveria orientar por meio da educação sexual, além de apontar para a falta de diálogo no âmbito social e familiar, pois a sexualidade ainda é um tabu e desperta preconceito nos setores mais conservadores da sociedade. Nesse sentido, as crianças e os adolescentes crescem deficientes em orientação, tornando-os vulneráveis a doenças, bem como gravidezes indesejadas e transmissões congênitas.

Soma-se à ausência de conscientização, a existência de grupos suscetíveis, que sofrem com o descaso do Governo e da sociedade. De acordo com a Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira (PCAP), homossexuais, profissionais do sexo e usuários de drogas estão entre os mais acometíveis por DSTs. Nesse caso, a superação desse cenário acontecerá apenas mediante políticas públicas especificamente voltadas para esses setores da sociedade. Ademais, o preconceito vivido contribui para a exclusão social dessas pessoas, visto que são muitos os casos em que são abandonados pela família, deixando-os sob a tutela do Estado.

Logo, para mitigar essas questões, é essencial a adoção de uma conscientização jovem adequada, com a implantação, pelo Ministério da Educação, da educação sexual nas escolas, para promover o devido diálogo entre adolescentes e sociedade, bem como o esclarecimento entre filhos e pais. Outrossim, o Estado deve realizar uma campanha de testes para DSTs nas escolas, com o objetivo de identificar possíveis casos, posteriormente, ajudando-os não só a tratar as doenças, mas também prevenir futuras complicações . Por fim, ONGs, em parceria com o Ministério da Saúde, devem lançar um programa de tratamento de vulneráveis, mediante fornecimento de testes rápidos para esses grupos-alvo, além de informações sobre como identificar sintomas.