O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 11/10/2017
A hipermodernidade, conhecida como era da informação, permite o acesso aos mais diversos assuntos livremente na internet. Apesar desse vasto conhecimento disponível, observa-se um aumento nos casos de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) entre a população, sendo o descaso com a prevenção o principal propulsor dessa realidade. Fatores de ordem educacional, bem como cultural, caracterizam o dilema do elevado número de infectados por DST no Brasil.
É importante pontuar, de início, a negligência acadêmica nessa alarmante situação. À guisa de Kant, o ser humano é tudo aquilo que a educação faz dele. Entretanto, as escolas brasileiras falham nesse processo de formação humana ao se omitirem quanto à importância da educação sexual. Por ser tratado como um tabu dentro das salas de aula, o tema é ignorado pelo meio estudantil, fomentando um comportamento negligente dos jovens frente às DSTs. Tal fator é ratificado por pesquisa de 2013 do Pcap, que apontou que 60% dos indivíduos de 15 a 24 anos haviam feito sexo sem preservativo no último ano.
Outrossim, tem-se a influência de valores sociais na temática. Ainda nos anos de 1980, a Aids foi fortemente vinculada aos homossexuais, sendo até reportada como “câncer gay” por grandes veículos de comunicação. Essa falha associação perdura até a contemporaneidade, em que as DSTs são estereotipadas como restritas aos chamados “grupos de risco”. A persistência dessa cultura, porém, fortalece uma visão de que essas doenças não atingem os demais indivíduos, favorecendo a falta de cuidados destes. Essa realidade foi percebida nos últimos dados do Ministério da Saúde, que apontaram para um maior crescimento da Aids entre os heterossexuais.
É notória, portanto, a relevância de fatores educacionais e culturais na problemática supracitada. Nesse viés, cabe às escolas, em consonância com ONGs da área, instruir a população sobre as precauções necessárias quanto às DSTs. A ideia da medida é, a partir de palestras e debates nas salas de aula, além de campanhas nas ruas, promover uma educação sexual à população a fim de minimizar os casos de infectados no Brasil. Ademais, a mídia, enquanto difusora de novos comportamentos e opiniões, deve alertar sobre os riscos democráticos de contaminação dessas doenças. Esse projeto pode contar com telenovelas e propagandas educativas que abordem o tema com o intuito de consolidar uma consciência coletiva de cuidado frente a essas enfermidades. Finalmente, o Ministério da Saúde deve orientar a população sobre as DSTs, por intermédio da disponibilização de profissionais da área nos postos de saúde, com o intuito de esclarecer mitos e dúvidas acerca do assunto.