O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 21/10/2017

Um olhar atento lançado sobre a condição do homem em pleno terceiro milênio releva que a modernidade falha em cumprir sua promessa iluminista de que a razão seria capaz de aprimorar moral e eticamente a sociedade. Não raramente, os individuos veem-se tomados por uma angustia gerada pela inconsciência sobre suas atitudes, em uma experiência semelhante aos relatos da personagem Antonie Roquentin, da obra “A Náusea”, de Jean-Paul Sartre. A partir da universalidade da questão sartreana, é possível refletir sobre problemáticas como a do aumento de infectados por DSTs no Brasil atual, orientando-se pela necessidade da reflexao e da reinvenção do homem como um ser de responsabilidades sociais.

Perante esse contexto, é perceptível que a sociedade sofre de uma orfandade que parece incurável, justamente porque não reflete sobre suas causas. Entretanto, à luz da esfera histórica, a humanidade mostra-se pródiga quanto à institucionalização de discursos conservadores que contribuem para que assuntos relacionados à vivencia sexual tornem-se tabus. Esse processo demoniza a educação sexual e cria barreiras que impedem a conscientização de jovens quanto à prevenção de DSTs. Junto a isso, a imersão do erótico e o incentivo ao sexo em veículos midiáticos, com o intuito de angariar mais telespectadores mas sem se importar com uma abordagem mais profunda acorda do tema, corroboram com atitudes imprudentes por aqueles que assistem porém sem informações adequadas. Dessa maneira, essas atitudes são agravadas por conta do discurso midiático atrelado a uma lógica imediatista de prazer, que compromete os cuidados com a saúde do indivíduo e de seus parceiros.

Por conseguinte, percebe-se que, na atualidade, esses conceitos trazem consequências irreversíveis advindas da problemática do aumento das DSTs e de suas chagas, tais como . Valendo-se da falta de informação, os jovens  afetando valores fundamentais do ser humano, o que resulta, de modo mais amplo, em uma sociedade centrada em seu próprio eu, protegidos em condomínios fechados ou shoppings e ignorando as mazelas sociais que surgem por suas atitudes errôneas. Nota-se, assim, a fragilidade do cumprimento da Declaração dos direitos Humanos que garante segurança e direito a vida, já que atos desse tipo não são punidos, deteriorando a condição humana.

Sendo assim, são imperativas ações compartilhadas pelo Estado e pela educação. Por parte do Estado, como gestor administrativo, vale o enrijecimento de leis existentes por meio da criação de políticas públicas que punam, devidamente, casos de violência com as proprias mãos, para que seja interiorizado a necessidade da não prática destes. Outrossim, por parte da educação, representada por escolas, ONG`s ou associações de bairro, cabe a discussão de temas empáticos a partir da reflexão de filmes e documentários que abordem o tema de forma reflexiva, além de estudos de personalidades como Mario Sérgio Cortella que, entre outros assuntos, explícita a necessidade de conviver bem com o outro a partir da prática da alteridade. Dessa forma, quiçá, paradoxalmente à narrativa sartreana, a sociedade torne-se mais consciente em relação a seus atos e, consequentemente, mais coesa e harmoniosa.