O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 16/10/2017
As décadas de 80 e 90 foram marcadas pelo surto da Aids - epidemia do século XX - que levou milhares de indivíduos ao óbito, em destaque, o falecimento do cantor Cazuza após complicações decorrentes do HIV. Entretanto, apesar dos avanços da medicina no controle das doenças sexualmente transmissíveis, o Brasil enfrenta um aumento no número de infectados. Essa nova realidade está relacionada a falta de informações e ao preconceito na sociedade brasileira.
Em primeiro plano, a negligência na disseminação de informações sobre as DSTs ratifica essa problemática. Nesse contexto, propagandas que incentivam o uso de preservativos e alertam sobre as possíveis consequências do sexo desprotegido são comuns apenas na época do carnaval. No entanto, não só os jovens são vulneráveis a contrair essas doenças, como também pessoas acima dos 50 anos, conforme pesquisas realizadas pela Secretária do Estado da Saúde que revelou aumento de 10% do número de infectados nessa faixa etária. Sendo assim, enquanto a insuficiência de informes se mantiver, as taxas de contaminados por DSTs será crescente.
De outra parte, a discriminação social é um fator que dificulta a procura imediata dos indivíduos por testes e pelo tratamento precoce das doenças. A esse respeito, embora o Brasil seja um dos países referência, segundo a OMS, no tratamento de DSTs - principalmente, Aids - os brasileiros demoram a fazer os testes necessários devido ao medo do diagnóstico, nesse momento muitos se sentem solitários, por conseguinte, o apoio de amigos, familiares e especialistas é indispensável. No entanto, os estigmas sociais sobre os infectados expande a omissão do diagnóstico precoce, sobretudo, em doenças sexualmente transmissíveis assintomáticas - gonorreia e vaginose bacteriana - que contaminam os parceiros no sexo sem preservativo.
Urge, portanto, o debate sobre a necessidade da prevenção e a mitigação dos estigmas sociais presentes na sociedade brasileira. Nesse sentido, o Ministério da Saúde, por meio de contratos firmados com as mídias televisivas, deve estabelecer propagandas com a presença de especialistas a fim de fomentar o uso de preservativos em relações sexuais tanto com parceiros desconhecidos, como também com parceiros frequentes e instigar a procura por testes para um diagnóstico precoce e um tratamento eficaz. Essa iniciativa do MS é importante para a disseminação de informações não só no carnaval, como também ao longo do ano e colaboraria para a redução do número crescente de infectados.