O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 23/10/2017
As doenças sexualmente transmissíveis acompanham a história da humanidade. Na Grécia Antiga, eram chamadas de doenças venéreas, isto é, doenças de Vênus, a deusa do amor. Já no século XX, com a descoberta da pílula anticoncepcional e a revolução sexual desencadeada por ela, os jovens vivenciaram uma maior liberdade sexual, o que acarretou no aumento do número de casos de infectados por DST’s em todo o mundo. Infelizmente, apesar das informações sobre tais doenças circularem livremente na contemporaneidade, o brasileiro não se previne como deveria.
Nas décadas de 1980 e 1990, diversos ídolos da cultura pop faleceram devido à complicações causadas por doenças sexualmente transmissíveis, entre eles pode-se citar Renato Russo, Cazuza e Freddie Mercury. Os jovens do século XXI não tiveram contato com essa realidade, logo possuem a falsa sensação de que não serão atingidos pelas mesmas patologias. Por não terem medo, os mesmos jovens que, em sua maioria, sabem que a camisinha representa a melhor maneira de evitar o HIV e outras DST’s, não a usam com regularidade. Segundo uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, 6 entre cada 10 adolescentes não usaram preservativo em alguma relação sexual no ano de 2016. Desse modo, a situação configura-se como alarmante.
Enquanto assolava celebridades, artistas, pensadores e cidadãos comuns no século XX, o diagnóstico positivo para AIDS era sinônimo de sentença de morte. Entretanto, com o avanço da medicina, o tratamento da AIDS feito com medicamentos antirretrovirais - que combatem o vírus e fortalecem o sistema imune - a tornou menos assustadora. Assim sendo, houve uma banalização da doença. De acordo com a Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas na População Brasileira de 2013, cerca de 21,6% dos jovens entrevistados acredita que existe cura para a AIDS. Portanto, é possível perceber que o impacto causado pela AIDS mudou, mas é necessária a compreensão da gravidade do vírus HIV, que ainda é o mesmo.
O aumento de infectados por DST’s no Brasil é consequência de um conjunto de fatores. Os jovens possuem informações suficientes sobre a prevenção, mas precisam entrar em contato com exemplos reais. O Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, deve estimular a realização de palestras nas escolas, onde médicos e portadores de DST’s dividissem com os jovens suas experiências, alertando-os para as consequências do sexo sem proteção. Além disso, o governo pode estabelecer parcerias com as grandes emissoras de televisão, transformando as palestras realizadas nas escolas em propagandas publicitárias, para que alcançassem uma parcela ainda maior da população. Dessa forma, a interação família, escola e poder público otimizaria o combate às DST’S.