O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 22/10/2017

A Constituição Brasileira de 1988 prevê a garantia dos direitos sociais - como à saúde - a todos os cidadãos. Entretanto, por mais que haja essa premissa legal, o caráter negligente dos indivíduos, sobretudo no que tange à prevenção contra as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s), compromete o asseguramento dessa regalia por vulnerabilizá-los a tais patologias, ocasionando a acentuação do número de infectados no Brasil. Logo, deve-se modificar esse cenário, para tornar-se exequível a prerrogativa presente na Carta Magna.

Em primeiro lugar, é preciso salientar o posicionamento das diversas faces da sociedade diante dessa problemática nacional. Em um viés social, pode-se visualizar como uma das causalidades do aumento de casos de DST’s a cultura do imediatismo, alavancada pelo caráter efêmero das relações interpessoais - como analisou o filósofo polonês Zygmunt Bauman -, a qual induz o indivíduo à relativizar os métodos preventivos, como a camisinha. Em âmbito educacional e midiático, carecem ações que visem à informatividade das pessoas sobre as decorrências dessas enfermidades - como a Sífilis e a AIDS -, a qual contribuiria para a formação de maior criticidade sobre essa adversidade da saúde pública. Neste contexto, cresce a falta de cooperativismo social e a morosidade de resoluções em paralelo à ampliação da dificuldade de controlar o número de infectados no país.

Ademais, deve-se pontuar a eminência dessa questão da sociedade em perpetuar-se ao longo do processo histórico. Como presumiu Pierre Bourdieu, os indivíduos possuem a tendência de incorporar padrões sociais ao longo do tempo. Sob essa conjectura, é factível afirmar que os estigmas de negligência no que se refere aos métodos preventivos serão naturalizados pelas gerações futuras - cenário que já é retratado no contexto hodierno, no qual é vista a faixa etária entre 15 a 24 sendo na que mais registram-se casos de doenças sexualmente transmissíveis. Por conseguinte, acarreta-se uma cadeia de complicações - ora por configurar uma longevidade deste contratempo, ora por dificultar a garantia do bem-estar social no território nacional.

Tornam-se prementes, portanto, mediações para reverter essa questão da sociedade. Para tal fim, o Ministério da Educação deve adotar o modelo de “escola cidadã” - proposta por Paulo Freire -, abrindo debates nas aulas de Biologia e realizando palestras sobre esclarecimentos e consequências das DST’s, no intuito de aumentar o grau de informatividade dos alunos e induzi-los à prevenção. Outrossim, as ações midiáticas devem circular esse problema social nos meios comunicativos, ressaltando em telenovelas e em programas de discussão a respeito dos resguardos e dos riscos, para desconstruir a cultura da negligência sobre essa implicação e para cumprir sua função social.