O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 24/03/2024

O romance filosófico “Utopia” - criado pelo escritor Thomas More - retrata uma civilização idealizada, na qual a engrenagem social é desprovida de conflitos. No entanto, tal obra fictícia se mostra distante da realidade contemporânea no tocante ao aumento de contaminados por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) no Brasil. Nesse sentido, há de se combater não só a banalização do uso de preservativos, bem como a falta de informação que favorecem o quadro.

A princípio, convém ressaltar que a perda do temor em contrair infecções e a diminuição da gravidade do problema é um potencializador do imbróglio. Nesse contexto, a filósofa Hannah Arendt desenvolveu o conceito de Banalidade do Mal, segundo o qual as atitudes cruéis são parte do cotidiano moderno e tornam as relações sociais cada vez mais caóticas. Sob essa lógica, o não uso de preservativos manifesta na prática a cultura de hostilidade definida por Arendt, na medida em que os jovens perderam o medo de contrair doenças.

Outrossim, a desinformação é outro complexo dificultador. Nesse contexto, conforme o filósofo Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Nessa perspectiva, os indivíduos não são orientados sobre os efeitos negativos do sexo sem proteção e a gravidade das infecções adquiridas. Assim, enquanto a não conscientização for a regra, o aumento de DSTs permanecerá como um problema no Brasil.

Urge, portato, que medidas sejam tomadas, a fim de resolucionar o imbróglio. Para tanto, o Ministério da Saúde, aliado às mídias digitais, deve promover o esclarecimento da população, mediante campanhas e debates nos canais de televisão e redes sociais. Tais informativos devem orientar sobre formas de transmissão e sintomas das infecções, bem como a importância do uso do preservativo. Espera-se com isso que haja a desconstrução da normalização do sexo sem proteção e o esclarecimento adequado dos indivíduos.