O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 02/11/2017

Em 1530, o poeta italiano Girolamo Fracastoro criava o personagem Syphilis, um pastor de rebanho grego que, após despertar a ira divina, é castigado com pústulas pelo corpo. Embora seja uma obra ficcional, o nome do protagonista retrata uma das muitas doenças sexualmente transmissíveis sexualmente, nas quais se encontram cada vez mais presentes no cenário brasileiro. Nesse sentido, vale analisar como a desinformação dos jovens, assim como a falta de uma política pública eficaz, influenciam na problemática.

A princípio, o desconhecimento da população jovem sobre a importância em se prevenir durante a relação sexual é um dos principais responsáveis pelo aumento das DSTs. Isso decorre devido à ausência de diálogo com familiares, além da banalização dada ao tratamento, visto que, com o avanço da medicina, já existem medicações para muitas doenças, inclusive a AIDS. Por conseguinte, muitos se descuidam ao não usarem preservativos, acreditando ser necessário apenas para evitar uma indesejada gravidez. Como reflexo, de acordo com dados do Ministério da Saúde, entre jovens de 20 a 24 anos, a taxa de detecção de HIV subiu para mais de 30 casos por 100 mil habitantes em 2015.

Ademais, convém frisar que a carência de políticas governamentais veiculadas pela mídia, gera uma falsa sensação de erradicação das DSTs. Na década de 90, por exemplo, ícones da música como Cazuza e Renato Russo, mostraram ao público suas lutas pessoais contra a AIDS, e mais tarde vieram a falecer. Com isso, geraram uma comoção na população brasileira, além de conscientizá-la sobre as consequências da falta de proteção no ato sexual. Nos dias atuais, entretanto, é somente durante o Carnaval que o público é relembrado sobre a importância da cautela nas relações sexuais, tornando, assim, a discussão sobre as DSTs um tabu na sociedade no resto do ano.

Julga-se necessário, portanto, a adoção de medidas para que ocorra uma mudança no cenário de incidência das DSTs no Brasil. Isto posto, compete ao Ministério da Educação, em parceria com especialistas da saúde, elaborar palestras e seminários para as famílias das comunidades, sobre a importância do diálogo e do uso de preservativos, com o intuito de contribuir para o processo de decadência na transmissão das doenças. Outrossim, é papel do Ministério da Saúde, em ação conjunta com a mídia, intensificar durante todo o ano - e não só no Carnaval - campanhas educativas sobre a relevância da proteção durante os atos sexuais. Desse modo, o país trilhará um caminho para que casos de DSTs não façam mais parte do cotidiano brasileiro.