O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 26/03/2018

Apesar de esforços históricos em prol da erradicação de doenças e conquistas constitucionais importantes, como a garantia de um serviço de saúde ao alcance de todos, o Brasil ainda trava árduo embate contra o avanço de doenças sexualmente transmissíveis (DST). Patologias, como a sífilis e a SIDA, vêm apresentando números crescentes e alarmantes de brasileiros por elas infectados, graças ao descaso no uso de preservativos e uma vida sexual displicente.

Em primeira análise, salienta-se que existe um esforço governamental na divulgação de informações sobre a importância do preservativo e de seu correto uso. As redes sociais, cujos principais usuários são os jovens, foram os veículos escolhidos pelo Ministério da Saúde, em 2015, para divulgação de uma campanha de prevenção a DST e SIDA, com foco no uso da camisinha masculina. Aplicativos de encontro e namoro, como o Tinder, tiveram papel fundamental nessa ação. Embora essa e outras ações tenham acontecido, nos últimos anos, o aumento mais expressivo de indivíduos acometidos por tais enfermidades está, justamente, na faixa etária dos 20 a 24 anos, constatando a irrelevância atribuída pelos jovens a essa problemática.

Outro reflexo dessa indiferença está no comportamento sexual desregrado que a população em questão apresenta. Além de praticar relações sexuais inseguras, é comum a prática das mesmas com múltiplos parceiros, fator considerado, pela Organização Mundial da Saúde, como de risco para exposição às DST. Com isso, fica evidente que a modernidade experimentada atualmente, nomeada pelo sociólogo Zygmunt Bauman como “modernidade líquida”, influencia também as relações interpessoais, trazendo a elas características efêmeras e de imediatismo. Logo, questões desenvolvidas a longo prazo, como a manifestação de DST, não estão passíveis de serem classificadas como discussões importantes e necessárias.

Torna-se evidente, portanto, que a propagação de DST é uma vertente que necessita de ações imediatas. Logo, é primordial que o Poder Público, instituições de ensino e mídia trabalhem em conjunto para mudar o cenário encontrado. O papel educador e conscientizador da população deve ser feito pelas escolas, por meio da organização de debates e campanhas informativas e esclarecedoras, bem como pelos meios de comunicação, utilizando-se de propagandas publicitárias. Ademais, ao Poder Público, cabe o fornecimento de subsídios, por meio das secretarias de saúde, para que as ações articuladas sejam realizadas, pois a disposição de recursos financeiros, recursos físicos (cartazes, panfletos, cartilhas e preservativos), e recursos intelectuais, como orientação de profissionais da saúde, é imprescindível. Dessa maneira, a realidade brasileira poderá ter novos horizontes de mudança.