O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 26/03/2018

Na obra “Amor Líquido: Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos”, o sociólogo Zygmunt Bauman expõe a ideia de que vivemos em uma sociedade líquida, na qual a ausência de comprometimento entre as pessoas resulta em relações afetivas caracterizadas por contatos superficiais. Nesse cenário de liberdade e descompromisso com o outro, no Brasil, mesmo com o bombardeio de informações acerca das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e de como preveni-las, tem-se o seu aumento paulatino de novos casos. Assim, mais do que comunicar surge a necessidade de sensibilizar o público em geral da necessidade da prevenção e do tratamento das DSTs.

Sob esse viés, a Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas na População Brasileira (PCAP) realizada em 2013 revelou que 60% dos jovens entrevistados fizeram sexo sem preservativo no último ano e cerca de 44% não se protegeram durante sexo casual. Consequentemente, de acordo com o Ministério da Saúde, a taxa do número de jovens brasileiros que contraíram DSTs subiu de 16,2 casos por mil habitantes, em 2005, para 33,1 casos em 2015. Evidenciando-se entre esse segmento da população a crença de que eles são imunes às DSTs e mesmo sabendo da importância do uso do preservativo preferem arriscar, ou seja, não há uma sensibilização do perigo de adquirir uma doença sexualmente transmissível.

Paralelamente, além da prevenção, há o desafio de se detectar e tratar os portadores das DSTs. Assim, desde 1986, a notificação de casos de aids e sífilis é obrigatória em estabelecimentos públicos e particulares da saúde. E, em 2000, no Brasil, o registro de HIV em gestantes e recém-nascidos tornou-se compulsória. E atualmente, doenças como sífilis, gonorreia, clamídia, herpes genital e o vírus do papiloma humano (hpv) tem sido detectados e, em seguida, notificados pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). As UBSs tem o desafio de trabalhar a detecção e o acompanhamento dos pacientes, mas simultaneamente necessitam também sensibilizá-los para que o tratamento não pare no meio do caminho e, principalmente,  para o uso de preservativos com os eventuais parceiros.

Diante do exposto, é necessário trabalhar a crença, principalmente dos jovens, de que “isso nunca acontecerá comigo”. Para tanto, deve-se realizar em ambientes como as escolas, rodas de conversas com o objetivo de informar e sensibilizar os jovens acerca dos perigos de uma DST. Ao mesmo tempo, é vital um trabalho em conjunto entre os Ministérios de Saúde e Educação na coprodução de materiais digitais que disseminem nas redes sociais, meio em que os jovens mais se utilizam para adquirir informações, a importância do diagnóstico precoce e do tratamento imediato, favorecendo dessa maneira a quebra da cadeia de transmissão, evitando complicações e reduzindo a transmissão.