O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 26/03/2018

O sexo em outro ritmo

Todos os caminhos levam ao preservativo distribuído no posto de saúde mais próximo, isso mesmo, é gratuito. Então, fica a pergunta: Por que os brasileiros não têm usado a camisinha? As possíveis respostas para essa pergunta se encontram, principalmente, na precária educação sexual e a notória dificuldade da família e da sociedade em falarem sobre sexo.

Em primeira análise, o retorno da alta prevalência das doenças sexualmente transmissíveis (DSTS) está associado a dois grupos sociais, idosos e jovens, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). O primeiro, relacionado à explosão de medicamentos e procedimentos cirúrgicos que estendem a atividade sexual junto com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros. O segundo, a maioria dos jovens não vivenciaram a perda de conhecidos com AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) e podem ter até amigos que possuem o vírus HIV sem apresentarem nenhum sintoma característico da doença. Nos dois nichos, alcançar um diálogo franco é complicado e necessita de meios específicos para debater o assunto.

As tentativas da mídia, como no programa Altas horas, da emissora Rede Globo, que apresenta um quadro semanal no qual a Laura Müller, sexóloga, responde perguntas da plateia e dos convidados, devem ser vistos como uma boa alternativa. O objetivo principal é desmistificar algo inerente ao corpo humano e divulgar cuidados com a saúde que devem ser tomados para evitar epidemias de doenças estigmatizadas por todos. O crescimento sobre a literatura sexual científica pode garantir um meio para que os indivíduos com pouca visibilidade, no que se refere a fazer sexo, possam se informar.

Falar sobre sexo não deve ser um problema na sociedade e, para isso, é necessária a presença de educadores capacitados a debater com pais e filhos em todas as escolas do país, em uma ação conjunta com os Ministérios da Educação e da Saúde, para viabilizarem materiais didáticos respeitando a faixa etária dos filhos e evitando possíveis constrangimentos, assim tabus poderão ser desconstruídos. Quanto aos idosos, é necessário intensificar a obrigação das equipes de saúde de conversar, orientar e mostrar meios de prevenção para as DSTS, pois a timidez dos profissionais pode levar a quadros epidemiológicos mais graves, uma vez que existe capacitação é importante que ciclos perigosos sejam rompidos. Sob a percepção social brasileira ocorreu uma mudança significativa sobre a expressão sexo, drogas e rock roll: agora é funk e todas as idades dançam.