O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 15/04/2018

Segundo o sociólogo inglês Karl Marx, as transformações ao longo da história ocorriam quando as contradições inerentes ao bom funcionamento da vida em sociedade se tornavam insustentáveis. Partindo desse pressuposto, hodiernamente, as doenças sexualmente transmissíveis, um dos problemas de saúde pública mais comuns no Brasil, haja vista sua suposta normalidade perante a população, bem como a ineficaz atuação Estatal, revelam-se como as contradições mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento que necessita de transformações. Nesse sentido, convém analisar as vertentes que englobam tal problemática.

Em primeiro plano, segundo a Constituição Federal, datada de 1988, a saúde é um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas públicas que visem a redução do risco de doenças e de outros agravos. Entretanto, o aumento dos casos de doenças sexualmente transmissíveis como, por exemplo, a Aids, nas regiões mais pobres do país, mostra que muitos indivíduos não experimentam esse direito na prática, tendo em vista que a informação acerca dos meios de transmissão das doenças, bem como sobre os métodos de proteção, são minímas nesses locais, o que, de fato, contribui para a incidência de tais enfermidades.

Outrossim, ao descortinar o século XXI, a contemporaneidade, marcada pela modificação das relações interpessoais e dos modos de vida, tem sido campo fértil para a proliferação de DST´s. Nesse sentido, o indivíduo acaba, por vezes, relegando somente ao Estado o compromisso da saúde pública e esquece o seu papel central no que tange ao controle de doenças evitáveis. Nesse âmbito, esses indivíduos cresceram com a perspectiva de que tais doenças, a exemplo, a Sífilis e a Aids, tinha sido controlada pelo uso de medicamentos e anti-retrovirais. Dessa maneira, iniciam cada vez mais cedo sua vida sexual, possuem mais parceiros e não utilizam preservativos, o que aumenta o risco de se contaminarem.

À vista de tais preceitos, a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis, configuram-se uma chaga social que demanda imediata resolução. Para que se reverta esse cenário problemático, portanto, faz-se necessária a atuação governamental por intermédio do Ministério da Saúde realizar mutirões periódicos em bairros periféricos, com a distribuição de camisinhas, bem como cartilhas informativas de prevenção, a fim de educar a população. É imprescindível, ainda, o Ministério da Educação implementar na base curricular dos anos finais do Ensino Médio, por meio de debates e palestras mediados por pais e professores, a educação sexual dos alunos, para que os mesmos possam formar uma consciência crítica acerca do assunto.