O aumento do número de profissionais freelancer no Brasil

Enviada em 19/03/2021

É fato indubitável que a Revolução Industrial alterou bruscamente as relações de trabalho no mundo ocidental, tornando as atividades cada vez mais repartidas em processos realizados por pessoas diferentes, numa transição do artesanato para a manufatura, e, posteriomente, maquinofatura. Desse modo, surgiram as primeiras organizações, modelo para as empresas atuais. Como alternativa a esse trabalho integrado, um profissional freelancer é aquele que presta serviço para uma empresa sem ser necessariamente seu funcionário, e essa modalidade de trabalho pode ser analisada de formas diferentes: positiva, porque possibilita melhor gestão do tempo e vasta gama de experiências, negativa, porque retira do profissional a estabilidade que teria num emprego fixo.

Antes de mais nada, é necessário entender que o conceito tradicional de trabalho, ou seja, aquele em que o funcionário se desloca todos os dias para a empresa, pode ser visto como retrógrado e ineficiente porque impossibilita o profissional de gerir seu próprio tempo e adequar-se melhor à função que precisa realizar. Nessa ótica, o trabalho autônomo leva vantagem, pois oferece flexibilidade quanto ao aspecto citado. Em outra análise, o “frila”, como é informalmente chamado, pode desenvolver melhor suas habilidades e competências, pois adquire, durante a carreira, experiências mais diversificadas, estando envolvidos com diferentes organizações. Prova disso é que, segundo pesquisa da Rock Content de 2018, o “know-how”, expressão que representa a habilidade adquirida pela prática, cresce exponencialmente entre os freelancers, enquanto ocorre de forma linear com trabalhadores fixos.

Em contrapartida, o profissional autônomo sofre com a falta de estabilidade e oscilações de mercado, já que seu vínculo trabalhista é geralmente temporário e se encerra assim que é finalizado seu projeto. Portanto, o freelancer é prejudicado pela constante incerteza de seus ganhos, recorrendo, por muitas vezes, ao retorno para o mercado fixo, que mesmo com as desvantagens supracitadas, oferta  mais segurança ao profissional, tanto no âmbito financeiro, quanto na esfera das leis trabalhistas e garantias oferecidas pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

Em síntese, o aumento do número de profissionais freelancer no Brasil é um fato positivo, todavia, encontra óbices que podem ser resolvidos através de algumas medidas estatais. O Estado, por meio do Congresso Nacional, deve elaborar um conjunto de leis que versem sobre o respaldo para o profissional da modalidade supracitada, criando garantias que incentivem os trabalhadores quanto a adesão a esse tipo de vínculo. Desse modo, o problema da estabilidade seria esmaecido, criando um cenário positivo para o fortalecimento do trabalho freelancer, que pode ser benéfico para todos: empregado, empregador, e, consequentemente, para a nação como um todo.