O aumento do número de profissionais freelancer no Brasil

Enviada em 22/03/2021

De acordo com o teórico da comunicação Marshall McLuahn, o mundo tornou-se uma “aldeia global”, em que os meios tecnológicos modificaram os comportamentos humanos, como a facilidade na comunicação e na divulgação de informações. Tais transformações atingiram, também, as formas de trabalho, como no caso dos “freelancer”, trabalhadores autônomos que utilizam, em muitos casos, o ambiente virtual para o desenvolvimento profissional. Dessa forma, é importante analisar como o atual cenário econômico estimulou o aumento desse grupo, além da instabilidade como grande desafio.

A priori, é válido ressaltar que o aumento do número de profissionais “freelancer” no Brasil deve-se, em grande parte, a atual situação mundial, marcada pela pandemia do novo coronavírus que demanda um isolamento social firme para impedir sua proliferação. Em virtude dessa precária realidade, diversas empresas e estabelecimentos comerciais entraram em uma difícil condição financeira, o que impulsionou o desemprego conjuntural, fomentado por uma crise econômica. Dessa maneira, muitos indivíduos recorrem ao trabalho autônomo para superarem esse cenário e para se dedicarem a uma profissão que os instiga e que oferece mais liberdade, como flexibilidade da carga horária. Nesse sentido, percebe-se que a oportunidade gerada por essa carreira, além da maior independência, estimulou o crescimento desse grupo.

Ademais, é necessário destacar que o aumento do número de “freelancer” no país não reflete, contudo, a instabilidade dessa carreira. Tal concepção baseia-se nas ideias do sociólogo Karl Marx, o qual afirma que o atual modelo eoconômico capitalista, ao valorizar a busca constante pelo lucro, objetifica os indivíduos, transformando-os em mercadorias. Essa teoria retrata, em grande parte, o trabalho autônomo, em que os sujeitos, além de não possuírem direitos a benefícios trabalhistas, como seguro saúde e férias, são remunerados de acordo com a quantidade que produzem. Desse modo, por não terem carteira assinada, esses profissionais convivem com uma realidade incerta, já que a renda mensal é variável e estão sempre suscetíveis a uma redução na busca pelos seus serviços. Nessa lógica, o crescimento desse grupo não representa, necessariamente, o bem-estar desses trabalhadores.

Logo, para que o “freelancer” seja valorizado, o Estado deve proteger esse grupo, por meio da elaboração de mecanismos legais que assegurem esses indivíuos, como o acesso aos direitos trabalhistas, a fim de que essa profissão seja formalizada e, assim, torne-se estável e segura. Ademais, esse órgão precisa estimular essa profissão mediante a criação de um site que esclareça sobre o assunto e oriente sobre como se inserir nesse mercado, além de promover cursos gratuitos de especialização, com o intuito de incentivar e valorizar essa carreira.