O aumento do número de profissionais freelancer no Brasil

Enviada em 21/03/2021

Uma postura destituída de empatia diante do sofrimento alheio. Essa é uma das características retratadas no quadro “O grito” do pintor Edvard Munch, em que se constata a indiferença dos personagens, ao fundo da tela, em relação à figura do plano central. Contudo, essa realidade não se limita ao expressionismo, uma vez que, na realidade brasileira, as vítimas das dificuldades do trabalho freelancer também não têm sido assistidas pelo Poder Público  e por parte da população. Nesse prisma, é importante analisar essa questão no país.

Primeiramente, nota-se que, ao não garantir uma conscientização sobre a importância dos contratos e métodos de segurança para o profissional freelancer,  o Poder Público mostra-se omisso. Isso porque uma pessoa sentir pode ter vontade de iniciar esse tipo de trabalho. Entretanto, o receio de não ser remunerado pelo empregador e adquirir instabilidade financeira tende a se tornar um elemento de inibição. Sendo assim, vê-se que o indivíduo está em conflito constante entre os impulsos inconscientes (Id) e a consciência dos limites sociais (Superego), comprovando os estudos psicanalíticos de Sigmund Freud.

Além disso, verifica-se que aceitar as consequências do trabalho freelancer é naturalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem se mostrado inerte diante da ausência de assistência a tais profissionais, visto que falta efetivar um atendimento psicológico gratuito a esses, já que comprometem seu convívio em sociedade e, como consequência, podem comprometer sua saúde emocional. Dessa forma, esse fato ratifica os estudos da filósofa Hannah Arendt, pois, segundo ela, a população apresenta-se incapaz de diferenciar o certo do errado devido a um processo de massificação social, levando à aceitação de quadros negativos.

Convém, portanto, ressaltar que as dificuldades do trabalho freelancer devem ser combatidas. Para isso, é necessário que o Estado amplie, por meio de palestras educativas, a conscientização dos profissionais frila, com o objetivo de mostrar os riscos da área e as causas de instabilidades financeiras, podendo, assim, evitá-las. Ademais, deve haver uma sensibilização populacional, via campanhas midiáticas promovidas por ONGs, visando a expor sobre a importância de adotar questionamentos críticos diante da falta de assistência aos trabalhadores freelancer, o que potencializa o oferecimento de atendimento no Sistema Único de Saúde para o combate aos transtornos emocionais causados pela restrição da socialização desses. Desse modo, seria possível que a postura destituída de empatia se limitasse à arte expressionista de Munch.