O aumento do número de profissionais freelancer no Brasil

Enviada em 23/03/2021

De acordo com a Constituição Federal de 1988, o acesso a um emprego de qualidade, assim como a qualificação profissional necessária para exercê-lo é direito de todos e dever do Estado. No entanto, no Brasil contemporâneo, pode-se perceber o aumento do número de profissionais freelancer no Brasil. Diante disso, fatores relacionados à falta de investimento proposital por parte do Governo na qualificação profissional, bem como as crescentes taxas de desemprego são pontos importantes na análise das razões e consequências desse fenômeno.

Percebe-se, de início, que, sob o comando da mercadoria e do dinheiro, na realidade de um constante aumento no desemprego e na inflação por negligência política, boa parte da população se vê na necessidade de inovar e buscar novas alternativas para o sustento das suas famílias. Prova disso é o hiato existente entre capital e consumo em relação à presença de desemprego no país, bem como o aumento da demanda por funcionários freelancer no Brasil, o qual demonstra a motivação política e não apenas financeira para essa relação, visto que, segundo o FMI, o Brasil é a 12ª maior economia mundial, porém, segundo dados coletados pelo IBGE, a taxa média anual de desemprego em 2020 foi de 13,5% e neste mesmo ano, de acordo com a Folha Dirigida, o número de procura por trabalho freelancer cresceu em, cerca de, 38%. Dessa forma, essa necessidade de empregos corrobora para o aumento do número de profissionais freelancer e o ingresso gradativo do Brasil na fase Indústria 4.0.

Outrossim, a histórica desigualdade social, assim como a concentração de renda nas mãos de uma minoria promovem a continuação da não qualificação do brasileiro e sua consequente inclusão na nova fase da indústria 4.0, como o movimento freelancer. Isso porque, a partir do pensamento da historiadora Lília Schwarcz, os anacronismos da estrutura colonial, tais como o projeto de quem detém o poder para manter como apenas mão de obra produtora de commodities, reverberam em uma consequente marginalização de parte da população. Assim, enquanto à parcela social dotada de renda financeira alta e estável é dado o direito de participar dos avanços da sociedade e ter mecanismos de escape para a crise, como demonstrado pelo aumento da demanda por funcionários freelancer, a parte excluída é deixada à mercê das consequências da inflação e do desemprego, sendo forçados pela falta de escolha a ter que ceder, muitas vezes, a horários, salários e ambientes de trabalho precários.

Evidencia-se, portanto, a necessidade do poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério da Economia, promover um maior investimento na produção de empregos. Tal iniciativa ocorrerá por meio de um Projeto Nacional de Incentivo ao Trabalhador Freelancer, o qual fomentará uma maior qualificação profissional para todos, a fim de que o desemprego no Brasil seja, por fim, nulo.