O aumento do número de profissionais freelancer no Brasil

Enviada em 25/03/2021

Em sua obra “Abaporu”, Tarsila do Amaral exibe, através de anamorfoses anatômicas, sua representação do trabalhador brasileiro. Decerto, envolvida na realidade do século XX, a artista consagra o valor antropofágico de sua criação ao exibir uma cabeça pequena e mãos grandes - o papel do trabalho na vida do cidadão. Ainda que concebida em meados dos anos 1900, a estilística de Tarsila vai ao encontro da contemporaneidade brasileira, cujos aspectos econômicos e sociais aliados à evolução da mentalidade individual, ocasionam o aumento do número de profissionais “freelancer” no país: mesmo durante crises, o nascido no Brasil entende a importância de seu trabalho.

Em primeira análise, pontua-se sobre o recente declínio da economia federal e seus prejuízos no dia a dia da população nacional. Ao analisar pela ótica de analistas políticos e econômicos do portal “O globo”, fica claro que a empregabilidade tradicional deixou de ser a única opção. Segundo os especialistas, a queda acentuada do PIB doméstico e o aumento da inflação direcionam a nação rumo à estagflação - conjunto de desemprego e diminuição do poder de compra.  Como resultado, a análise dos economistas destaca um crescimento de profissionais que se declaram independentes, isto é, “freelancers”. Sendo assim, percebe-se uma ligação direta entre a baixa empregabilidade tradicional e o aumento de trabalhadores autônomos.

Entretanto, se por um lado existem brasileiros direcionados à autonomia trabalhista devido ao aumento do desemprego, por outro há a conscientização dos benefícios acarretados por esse modo de trabalho. Baseando-se na cultura contemporânea de tornar-se o próprio chefe, o serviço de streaming “Netflix” investiu na produção do seriado “Girl Boss”. A narrativa envolve a descoberta, por uma mulher, do poder de vender ocasionalmente peças de vestuário na internet, sem chefes. A obra, ainda que fictícia, reflete a vivência do trabalhador “freelancer” no país: uma vez percebidas as vantagens desse modo de trabalho, que envolvem desde horários variáveis até a extinção de preocupações com superiores, muitos brasileiros preferem adotá-lo como padrão. Dessa forma, evidencia-se uma parcela significativa de cidadãos que preferem a flexibilidade advinda dos serviços de  “freelancer”.

Em suma, é possível observar que a atual crise econômica e a mudança de mentalidade do trabalhador brasileiro são fatores que incutem no aumento dos profissionais “freelancer” no país. Assim, cabe ao Ministério da Economia - órgão responsável pela organização trabalhista no Brasil - a promoção, por meio de feiras de oportunidades nacionais, de políticas públicas que empreguem os brasileiros preferíveis à modalidade tradicional de trabalho, no intuito de satisfazer as necessidades trabalhistas de um povo cuja força de trabalho está eternizada nas mãos do “Abaporu”.