O aumento do número de profissionais freelancer no Brasil

Enviada em 05/05/2021

Conforme Milton Santos - geógrafo -, o século XXI se caracteriza pelo rápido desenvolvimento tecnológico, o qual possibilita o surgimento de empregos inéditos. Nesse sentido, tal premissa se faz presente no contexto brasileiro vigente, uma vez que o número de profissionais freelancer aumentou de forma significativa. Logo, faz-se necessário analisar os pontos positivos - a possibilidade de maior autonomia - e os pontos negativos - o não recebimento dos benefícios de um “trabalho tradicional”.

De início, convém enfatizar que o desenvolvimento de autonomia é um dos principais motivos do aumento de trabalhadores freelancer no Brasil. Nessa óptica, de acordo com o palestrante Marcos Piangers, a capacidade racional de tomar decisões está intrinsecamente relacionada com o desenvolvimento de uma mentalidade inovadora e criativa. Sob esse viés, é perceptível que muitos indivíduos optam por uma profissão independente, dado que conseguem controlar os próprios horários, o que possibilita uma rotina mais flexível. Dessa forma, é indiscutível que essa flexibilização colabora com o desenvolvimento profissional, já que os trabalhadores conseguem pôr suas ideias em prática e, assim, criar produtos inovadores no mercado de trabalho.

No entanto, a realidade laboral supracitada não se define apenas por atributos positivos, pois as pessoas são privadas dos benefícios de um emprego “tradicional”. Nesse prisma analítico, segundo o jornal “El País”, a definição do termo “freelancer” é um profissional independente, que não usufrui de vínculos empregatícios. Dessa forma, esses indivíduos se encontram em desvantagem, haja vista que estão suscetíveis a uma queda monetária a todo momento. Ou seja, qualquer necessidade de uma cirurgia de emergência, por exemplo, poderia acarretar uma falência imediata, posto que, em geral, não dispõem de um plano de saúde. Portanto, por mais que, hodiernamente, esse ramo esteja crescendo, isso não garante ao trabalhador uma boa qualidade de vida, devido ao fato de que qualquer imprevisto negativo, já ocasionaria, permanentemente, uma desestabilidade financeira.

Depreende-se, pois, que o aumento de profissionais independentes, no Brasil, gera um comportamento ambíguo: ora positivo, ora negativo. Destarte, urge que o Estado, por meio da reformulação das leis trabalhistas, promova aos trabalhadores freelancer a inclusão dos vínculos empregatícios - benefícios indispensáveis dentro de uma sociedade. Nesse ínterim, o intuito de tal medida é proporcionar a esses cidadãos uma certa estabilidade financeira e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida. Feito isso, estimular-se-á o raciocínio inovador, o que proporcionará uma dinamicidade no mercado de trabalho.