O aumento do número de profissionais freelancer no Brasil

Enviada em 26/06/2021

Freelancer - da precarização do trabalho à saúde mental prejudicada

O advento da internet proporcionou o aparecimento de novas formas de trabalho, principalmente em áreas como comunicação, marketing e produção de conteúdo independente. No entanto, esse fenômeno não trouxe apenas as coisas positivas, a mecanização de algumas atividades, junto a uma crise no mercado de trabalho, fez com que alguns profissionais vissem na modalidade freelancer uma única forma de permanecer com renda. Atrelado a isso, que acaba escondendo uma faceta obscura dessa maneira de trabalho.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego no Brasil bateu recorde de 14,7%. No entanto, esse número pode ser ainda maior, tendo em vista que os profissionais independentes não entram nos dados. Além disso, tais profissionais só ativos-se independentes pela crise que acomete o mercado de trabalho brasileiro. Muitos trabalhadores, por exemplo, veem seus ofícios sendo ocupados por programas de computadores, como na publicidade; outros veem a precarização latente em suas áreas, como é o caso do jornalismo. Sendo assim, uma modalidade freelancer é a única saída para as pessoas que querem continuar a sobreviver nesta sociedade.

Porém, mesmo com a precarização, o freelancer é glamourizado no país, passando, assim, uma imagem equivocada. Para muitos, trabalhar como autônomo é o ápice da liberdade, mas há algo que marca essa modalidade que pouco se comenta: o workaholismo, que é o vício ou excesso de trabalho. Se, por um lado, o profissional é livre, não precisa prestar contas à chefia; por outro, ele é preso à necessidade de sempre estar rendendo. E é esse fator que faz com que o freelancer acabe caindo numa armadilha psicológica que pode se tornar grave. Quase numa rede de tragédias, a mecanização gera o desemprego, que culmina na informalidade, que pode dar luz ao workaholismo, que, se não observado, pode desencadear uma síndrome de burnout, que é o distúrbio psíquico reformulação pela exaustão extrema relacionada ao trabalho.

Fica clara, portanto, a necessidade de que a iniciativa privada, por meio de incentivo do Governo Executivo, invista em mais vagas de trabalho para que aqueles autônomos queiram voltar ao mercado de trabalho tenham essa oportunidade. Além disso, é preciso que o Poder Legislativo, por meio de emendas parlamentares, crie um projeto de lei que viabilize a criação de um programa de saúde mental para que os freelancers que possam ter ajuda psicológica a fim de prevenir o workaholismo e o esgotamento, que a síndrome de burnout. Só assim a sociedade pode construir um sistema com pleno emprego e que preze pela saúde mental dos autônomos.