O aumento do vegetarianismo no Brasil
Enviada em 24/04/2021
A canção “Meat is murder”, da banda The Smiths, retrata a falta de ética no consumo da carne na contemporaneidade. Nesse aspecto, os diversos impactos causados pela pecuária desencadeou o aumento de movimentos sociais e políticos, como o vegetarianismo, em prol da sustentabilidade ou dos animais. No entanto, o preconceito e falta de conhecimento social, bem como a inacessibilidade dos produtos, dificultam a expansão do movimento. Desse modo, percebe-se que a educação inepta e a negligência governamental corroboram com a perpetuação da problemática.
De início, é notório que a inconsciência populacional em relação às consequências da exploração animal deriva de falhas no sistema educativo. Nessa óptica, o educador Paulo Freire defende que uma educação apta nos sistemas de ensino do país é essencial para que ocorra uma melhoria nos hábitos populacionais, com o fim de beneficiar a esfera global. Assim, deveria estar incluida na Base Nacional Comum Curricular aulas educativas sobre a importância dos movimentos sociais e políticos na sociedade, visto que visam a democratização dos direitos, como no caso do vegetarianismo aos direitos dos animais. Entretanto, a permanência de uma metodologia de ensino mecanizada dificulta no desenvolvimento da criticidade dos indivíduos e colaboram para a persistência dos esteriótipos sociais. Dessa maneira, ratifica-se que a educação é fundamental para a desconstrução de hábitos prejudiciais e na classificação do consumo da carne como algo não natural, como citado pelos Smiths.
Ademais, vale ressaltar que o alto custo dos produtos veganos, que dificulta o acesso da população, provém da má atuação dos setores governamentais. Nessa perspectiva, Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadãos de papel”, disserta acerca da inefetividade dos direitos constitucionais, sobretudo, ao que se refere ao acesso à uma alimentação digna. Com isso, a falta de investimento do governo em produtos que não são compostos por ingredientes de origem animal e o alto custo dos existentes no mercado, que é dever do Estado conforme a Constituição federal, torna as mercadorias inviáveis para os civis de baixa renda que não desejam colaborar com o sofrimento animal. Dessa forma, a intervenção estatal é crucial para democratizar a introdução ao vegetarianismo.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar a problemática. Para tanto, urge que o Ministério da educação introduza nos sistemas de ensino públicos e privados, por intermédio de profissionais capacitados em ministrar palestras, o programa “Educação Integrada”, com o intuito de estimular jovens e crianças a aprender sobre a importâcia de respeitar e aprender sobre o movimento do vegetarianismo e suas vantagens por meio de debates e aulas educativas. Tal ação extinguirá os preconceitos e promoverá a ética social. Somente assim, faria-se jus ao ideal de Lennon.