O aumento do vegetarianismo no Brasil

Enviada em 28/03/2021

O movimento de Libertação das Mulheres, ocorrido nos anos 60, nos Estados Unidos, teve como característica o slogan “O pessoal é político”, que articulou a ideia de que os acontecimentos das vidas privadas das mulheres afetam diretamente a esfera pública, ou seja, a individualidade faz parte de um todo, e não é isolada dos demais eventos. Essa visão se reflete no aumento do vegetarianismo no Brasil, visto que o fim do consumo de carne pode ser considerado um ato político contra a indústria agropecuária e tem relação direta com a difusão desse estilo de vida nas redes sociais. Assim, deve-se discutir os aspectos sociais e políticos vinculados ao tema, em prol do bem coletivo.

Em primeiro lugar, é válido citar o documentário “Cowspiracy”, que analisa a relação do consumo de carne com a degradação da natureza. Nesse sentido, grande parte das pessoas que adotaram o vegetarianismo defendem a importância de não consumir carne de origem animal para contribuir com a sustentabilidade do planeta, já que o principal motivo da poluição e das elevadas taxas de gasto de água é o agronegócio. Ademais, essa indústria é responsável também por diversas faltas de cuidados com os animais, como castrações sem anestesia, prática cruel e ainda realizada por alguns produtores de carne. Dessa forma, a concepção ambiental é um impulsionador para a população vegetariana.

Em segundo lugar, deve-se destacar o aumento do conteúdo vegetariano nas mídias sociais, como a página “Vegano Periférico” no Instagram, que apresenta diversas receitas para não só eliminar o consumo de carne mas também o de todos os alimentos de origem animal. Além disso, a propagação dessas ideias na internet tem muita importância para o fim da visão de que o vegetarianismo tem um viés elitista. Dessa maneitra, os modelos apresentados pelas redes sociais contribuem positivamente para a alternância de um estilo de vida mais preocupado com o meio ambiente.

Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas para que o aumento do vegetarianismo no Brasil continue em pauta. Para isso, o Congresso Nacional deve ampliar as leis brasileiras, por meio de novos projetos legislativos, que instituem o pensamento de que animais são seres vivos e não objetos, como o projeto aprovado pelo Senado em 2019, que criou um regime jurídico especial para os animais, a fim de que eles não sofram mais maus-tratos, principalmente pelo agronegócio. Além disso, a CONAR- órgão responsável pela divulgação de propagandas- deve abordar conteúdos vegetarianos, por intermédio de campanhas, como a “Segunda Sem Carne”, que incentive a população a aderir esse estilo de vida, para que mais pessoas contribuam para a sustentabilidade do planeta. Assim, o corpo social se tornará mais próximo do bem coletivo.