O aumento do vegetarianismo no Brasil
Enviada em 07/04/2021
Alimentar-se de determinados alimentos e não de outros é uma questão que está além da geografia dos alimentos que cada região dispõe. Apesar da universalização da indústria alimentícia, culturas diferentes, religiões e estilos de vida podem ditar o que se deve comer e o que não se deve – como ocorre no islã, religião na qual seus praticantes não consomem carne suína. Nesse contexto, no que tange à expansão do número de adeptos ao vegetarianismo - regime alimentar que exclui produtos cárneos – na realidade brasileira, nota-se, como grandes motivadores, tópicos intimamente relacionados à saúde. Entretanto, apesar do evidente crescimento dos adeptos, fatores como o preconceito e a construção de estereótipos acerca do vegetarianismo ainda tem espaço na sociedade.
Em primeira análise, a saúde mostra-se como um dos principais incentivos à busca dos brasileiros por uma dieta vegetariana. O artigo 196 da Constituição Federal de 1988 possui como um de seus pilares a prevenção às doenças. Sendo assim, como demonstra pesquisa realizada pela Universidade de Oxford (Inglaterra), que concluiu que vegetarianos têm metade do risco de desenvolver doenças do coração, uma dieta excludente de carnes mostra-se como uma das principais alternativas focadas na prevenção do desenvolvimento de enfermidades cardíacas, além de muitas outras doenças. Assim, torna-se evidente o caráter positivo de uma alimentação à base vegetal no dia a dia da população.
Apesar disso, é imperioso destacar a presença de um estigma relacionado ao vegetarianismo que é fruto da construção de uma mentalidade que vem de gerações. De acordo com o filósofo francês Voltaire, “preconceito é opinião sem conhecimento”, isso, porque, mediante a ausência de um preparo e manutenção adequados do conhecimento a respeito da alimentação, os indivíduos perpetuam e repassam informações incorretas e carregadas de preconceito, formando estereótipos negativos acerca do regime alimentar e de seus adeptos. Nesse sentido, percebe-se uma lacuna no que se refere ao debate em torno do vegetarianismo, o que acaba por diminuir o ritmo de crescimento de pessoas que seguem tal dieta na sociedade brasileira.
Convém, portanto, que ações sejam desenvolvidas para uma maior viabilização do aumento do vegetarianismo no Brasil. Para que isso ocorra, o Ministério da Educação, em parceria com escolas e mídias, deve desenvolver palestras e oficinas educativas - disponíveis para todas as idades - sobre os mais diversos tipos de alimentação e seus respectivos benefícios. Através disso, busca-se extinguir o viés preconceituoso enraizado na sociedade a respeito do vegetarianismo, o que respalda na oportunidade de cada vez mais pessoas tornarem-se vegetarianas, aumentando, ainda mais, a curva de crescimento de adeptos deste regime alimentar no Brasil.