O aumento do vegetarianismo no Brasil

Enviada em 28/04/2021

A Constituição de 1988, documento jurídico de maior importância do país, prevê em seu sexto artigo, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa que, apesar do aumento do veganismo no país, apenas 14% da população se considera vegana, seja pela carência estatal em prover educação alimentar, seja pela alienação parental. Desse modo, faz-se necessária a ánalise dos fatores que favorecem esse quadro no Brasil.

Dessarte, é válido analisar a ineficiência governamental em apresentar projetos que incentivem uma alimentação mais saúdavel. À vista disso, a pouca educação alimentar somado ao alto consumo de carne vermelha no Brasil e as influências midiáticas, que a todo momento promovem propagandas sobre o consumo de fast-food, como o Burguer King, por exemplo, faz com que o veganismo ainda encontre entraves para a sua consolidação no país. Essa conjuntura, de acordo com os pensamentos de Thomas Hobbes, configura-se como uma violação do Pacto Social, já que o Estado não cumpre a sua função de garantir o bem-estar da população, o que infelizmente é evidente no Brasil.

Ademais, é importante apontar a alienação parental como impulsionador do bloqueio a solidificação do veganismo. Segundo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de pensar e de agir, dotada de generalidade, coercetividade e exterioridade. Nesse contexto, o alto consumo de carne vermelha no Brasil pode ser encaixado na teoria do sociólogo, uma vez que, se uma criança vive em uma família com esse comportamento, tende a adotá-lo também por conta da vivência em grupo. Desse modo, o hábito em ser onívoro, transmitido de geração a geração, funciona como forte base para a permanência de doenças relacionadas a má alimentação. Logo, é inadmíssivel que tal cenário continue a pendurar.

Urge, portanto, que o veganismo seja mais incentivado no Brasil. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação, por meio da alteração na lei 9.394, de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, criar novas disciplinas curriculares que discutam sobre a importância de uma alimentação saúdavel e sustentável e  preparem de forma apropriada os estudantes dos cursos de licenciatura, a fim de que, desse modo, seja possível garantir um ensino que conscientize a respeito da educação alimentar e promova a plena construção do conhecimento. Assim, o direito à saúde previsto na Constituição de 1988 poderá ser reverberado com ênfase na prática.