O aumento do vegetarianismo no Brasil

Enviada em 30/04/2021

O comercial “Salve o Ralph” ilustra a utilização de animais para testes com produtos, como forma de alertar a população acerca dos malefícios dessa ação. No Brasil, a parcela populacional vegana, além de defender a causa animal, também defende a não ingestão de carnes. Entretanto, apesar do aumento do veganismo na população brasileira, ainda existem dificuldades no acesso à produtos orgânicos, tanto no preço, quanto na disponibilidade, o que impede muitas pessoas de se aderirem à esse estilo de vida. Nesse sentido, é necessário analisar a importância do vegetarianismo e os empecilhos para a plena atuação.

De fato, o estilo de vida vegano, além de ser saudável, com o certo acompanhamento nutricional, também promove a atenuação de diversos problemas ambientais, indiretamente. Prova disso, para a produção de carnes há diversos desastres na natureza, como a poluição, pela emissão de gases do efeito estufa pelos bovinos, pelo desmatamento e pelas queimadas, para o plantio de pastagens, grande parte ilegais, mas que não há punição devida, problemas que, a médio longo prazo, promoveram consequências irreversíveis à natureza nacional, como o prolongamento das secas e a extinção de plantas e animais nativos. Nesse panorama, fica claro que o vegetarianismo promove diretamente uma melhoria da saúde, e indiretamente, mitiga danos na fauna e na flora nacional.

Ademais, a acessibilidade aos produtos e aos alimentos sem origem animal, que vem aumentando gradativamente, ainda é muito restrita à uma parcela populacional em um determinado espaço geográfico, sendo elitista, pelo preço e pela pouca quantidade. Desse modo, nas cidades pequenas e médias, há pouca adesão das pessoas ao vegetarianismo, principalmente as pessoas pobres e de baixa renda, pois a escassa, quiçá inexistência, presença desses produtos dificulta a prática de um estilo de vida mais saudável e ambientalista. Contudo, apesar do Brasil ser uma das maiores potências mundiais em exportação de commodities, ainda há escassez desses produtos no mercado interno, diminuindo a oferta e aumentando a competitividade e o custo.

Portanto, são necessárias ações mais contundentes para potencializar o vegetarianismo no Brasil. Assim, é fundamental que o Poder Executivo Federal, mais especificamente os Ministérios da Saúde e da Economia, mitigue alguns impostos, por meio isenções fiscais legais, para empresas que trabalhem com produtos orgânicos, legalizados e aprovados pela ANVISA, a fim de que o valor absoluto seja reduzido e, dessa maneira, seja mais democrática a obtenção desses bens para todo cidadão. Afinal, todas as pessoas deveriam ter a opção de acesso a uma vida balanceada e saudável.