O aumento do vegetarianismo no Brasil

Enviada em 30/04/2021

Promulgada em 1988, a Constituição Federal estabelece, como garantia cidadã, a alimentação. Nesse ínterim, entre seus diversificados seguimentos de regime, destaca-se o vegetarianismo, que apresentou, ao longo dos últimos anos, um aumento significativo no país. Destarte, é necessário a análise de que, apesar das benesses dessa modalidade, a sua adesão não é democrática na dinâmica comercial vigente, de modo a contrariar o princípio jurídico da equidade cívica.

Com efeito, é relevante pontuar a importância do movimento da abdicação do consumo de carne. Por essa óptica, Cowspiracy, documentário estadunidense de 2014, retrata a influência nefasta da agropecuária intensiva na dizimação dos recursos naturais do planeta. Posto isso, a iniciativa da ingestão exclusiva de produtos de origem vegetal gera impactos positivos na amenização tanto das implicações diretas, como a crueldade no trato animal, quanto dos desdobramentos indiretos, a exemplo do incremento da emissão de gases do efeito estufa. Logo, constata-se o vegetarianismo como uma opção ambiental coerente na configuração hodierna.

Todavia, é imprescindível o reconhecimento da abrangência limitada desse estilo de vida. Sob esse âmbito, de acordo com o relatório de 2019 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Brasil encontra-se entre as dez nações com os maiores índices de desigualdade social do mundo. Nessa perspectiva, observa-se que, pela superior viabilidade lucrativa de mercadorias desprovidas do manejo ambiental sustentável, as opções pertinentes à manutenção da alimentação vegetariana balanceada dispõe de preços mais elevados. Assim, a marca da preponderante disparidade econômica entre os brasileiros impede a possibilidade concreta do engajamento populacional nessa dinâmica, comprometendo a real isonomia no princípio alimentício.

Diante disso, a promoção do amplo acesso ao vegetarianismo é primordial. Dessa maneira, urge que o Estado, por meio do redirecionamento de verbas previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA), otimize o programa governamental dos Restaurantes Populares. Nesse projeto, o investimento seria voltado à implantação de hortas e de pomares comunitários nos estabelecimentos e à contratação de profissionais habilitados da área da Nutrição com o objetivo de que, a partir dos recursos dispostos e dos planejamentos alimentares prévios, refeições vegetarianas nutricionalmente adequadas sejam ofertadas a preços acessíveis a todos, minimizando a elitização desse cenário.