O aumento do vegetarianismo no Brasil

Enviada em 30/04/2021

Em 1516, com a obra “Utopia”, o autor inglês Thomas More destacou-se no campo literário mundial ao narrar a construção de uma ilha imaginária onde as mais diversas engrenagens nacionais trabalhavam em perfeita harmonia. Fora da literatura e sob análise de perspectivas contemporâneas, entratanto, nota-se que, cada vez mais, o Brasil afasta-se do sonho de alcançar tal eufonia: refém do aumento do vegetarianismo, o país rompe o equilíbrio do corpo social. Dessa forma, seja pela deturpada construção histórica, seja pela leniência estatal, esse imbróglio desafiador é vigente. Urge, assim, a necessidade de analisar e de buscar medidas para superar essa celeuma.

Nesse contexto, a omissão social é fator determinante para manutenção dessa conjuntura. Sob essa égide, Michel Foucault, pensador francês, em sua teoria da Microfísica do Poder, expõe que a normalização dos costumes partem de todas as instituições sociais. Diante desse pressuposto, é fundamental destacar a busca por uma alimentação e modo de vida mais sustentavél, ético e saudável, como fatores catalisadores dessa questão. Em consequência disso, o determinismo geográfico- meio no qual o invidíduo está inserido, determina seu papel social e comportamental- é incorporado e a sociedade entre em um círculo vicioso. Logo, a sedimentação social é reflexo da desordem estrutural.

Além disso, é fulcral pontuar a inoperância do poder público em cumprir seu papel de promotor do bem-estar social. Sob esse prisma, o pensador contratualista John Locke, em seu “Contrato Social”, afirma que o Estado deve promover meios para garantir a harmonia entre o meio coletivo. No entanto, escassez de políticas públicas, faz com que esse paradigma mantenha-se vigente. Em consequência disso, há a transgressão da Constituição Federal de 1988, uma vez que o artigo 225 garante para todos o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Então, enquanto a negligência estatal for realidade, o Estado democrático de Direito será utópico.

Portante, faz-se necessário lançar ações para mitigar tal mazela. Dessarte, é dever do Poder Executivo, sobretudo na voz das prefeituras, promover uma ampliação concreta dos setores alimenticio e ambiental, por meio de investimentos financeiros- os quais serão revestidos na especialização e na capacitação de profissionais da área e em melhorias na infraestrutura-, com vistas à consolidação de um meio permeado pela coexistência harmônica e eficaz entre legisladores e civis, onde os direitos constitucionais serão garantidos e respeitados. Ademais, o Ministério da Educação(MEC), deve inserir no cotidiano das escolas debates acerca do vegetarianismo, com intuito de formar um senso crítico e de viabilizar a construção gradativa de uma sociedade mais harmônica. Desse modo, poder-se-á buscar uma realidade próxima à proposta por Thomas More.